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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

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RAPIDINHA

A propaganda intensifica-se. As taxas de juro só baixam - e praticamente nada - porque estamos em cima das eleições europeias. Apenas isso.

Uma justiça que faz cócegas, mas não dá vontade de rir

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Um indivíduo de 47 anos - professor num colégio privado - foi condenado em primeira instância a oito anos e meio de prisão efectiva, por ter abusado de duas alunas de sete e oito anos de idade. Posteriormente, após apresentação de recurso, o Tribunal da Relação de Évora reduziu-lhe a pena para quatro anos e sete meses - pena suspensa. O tribunal reconhece que o arguido introduziu as mãos por dentro das roupas das crianças, e em contacto com a pele tocou, acariciou, massajou o pescoço, o peito, o tronco e mamilos, algo que considera desajustado em ambiente escolar e que tem “cariz sexual”.

O acórdão do tribunal relata “meras cócegas, festas ou massagens que [o arguido] realizou com a mão aberta, no tronco das menores, onde lhes tocou por vezes no peito ou na barriga, e umas vezes por baixo da roupa, outras por cima do vestuário que trajavam”.

Refere também que “tais gestos/actos não podem, segundo os princípios citados e as regras de experiência comum, ser classificados como actos sexuais de relevo”. Além disso, alegam que se tratou de uma só vez, em contexto de sala de aula e não num local privado.

Portanto, os senhores juízes do Tribunal da Relação de Évora entendem que não se tratou de abuso sexual, foi só “importunação sexual”.

Até quando vamos ter que levar com este tipo de decisão e este palavreado comichoso em acórdãos judicias?

O faro da Reuters para encontrar "raridades"

A agência de notícias Reuters publicou mais uma notícia sobre “um feroz ataque russo” no leste da Ucrânia. A notícia vem acompanhada desta fotografia, que é uma verdadeira raridade.

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No rodapé da fotografia poder ler-se “Um morador local inspecciona uma carrinha danificada após um ataque militar, no meio de um ataque da Rússia à Ucrânia, numa área residencial em Carcóvia, Ucrânia, 8 de Junho de 2022”. 

Mas, o que será que o “pobrezinho do morador local” tem tatuado no bracinho? Hum… assim de repente parece-me algo que tem a vem com #blacklivesmatter. Não, esperem lá, deve ser o símbolo da paz ou então o yin yang.

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Não posso acreditar. É mesmo uma suástica. Como é que isto é possível? Com tão poucos nazis que existem na Ucrânia, a Reuters foi logo acertar num? É preciso ter muita sorte. Ainda por cima, o indivíduo encontra-se na célebre posição que a Alemanha nazi perdeu a guerra. Esta fotografia é um verdadeiro achado.

O Ivan Alvarado/Reuters já é o mais sério candidato ao prémio World Press Photo 2022. Será quase impossível bater este registo jornalístico.

 

E a arraia-miúda aplaudiu

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Num momento em que o povo português sente que o presente das suas vidas está cada vez mais difícil e que o futuro próximo se vislumbra verdadeiramente inquietante, o Presidente da República decide – no Dia de Portugal – apontar o seu discurso para glórias passadas.

Bem sabemos que da boca de Marcelo Rebelo de Sousa só saem balelas, mas esperar-se-ia que no Dia de Portugal o Presidente da República tivesse um discurso que alertasse para os problemas actuais e futuros, e para aquilo que verdadeiramente tem impacto na vida dos cidadãos, sobretudo na “arraia-miúda”.

Marcelo não teve uma única palavra para a situação económica que se agrava a cada dia que passa. A taxa de inflação, que já se encontra num nível incomportável vai continuar a subir, o mesmo significa dizer que todos os produtos vão ver os seus preços aumentarem. O gasóleo volta a subir pornograficamente, pela segunda semana consecutiva. As taxas de juro também subiram, algo que vai ter pesadas repercussões nos empréstimos da “arraia-miúda”. E, no meio de todo este turbilhão económico e social, Marcelo opta por falar do passado e por passar a mão pelo pêlo do povo português, que é mansinho. E fê-lo porque – como ele disse outrora – as crises resolvem-se sempre com “milagres que saem do pêlo dos portugueses”. Portanto, convém mesmo amaciar o pêlo da plebe, que uma vez mais será convocada a pagar todas as favas.

Marcelo também não é alheio ao facto de que a "arraia-miúda" está mais interessada em tirar selfies (de preferência com ele) e bater palmas aos bacocos que a eles se referem como os “inferiores da sociedade”.

E assim, o povinho ficou todo contentinho, até porque o tempo está bom, o fim-de-semana é prolongado (prolongadíssimo na capital) e bora lá mas é comer sardinhas – enquanto só custa dois euros a unidade.

Hollywood rules the world

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Quem tem por hábito estar atento aos comportamentos sociais, certamente já constatou – há muito tempo – que as pessoas vivem como se fossem personagens num filme de Hollywood. E isto não serve apenas para a sociedade norte-americana. Infelizmente é um fenómeno que se repercute por todo o mundo, com um enfoque especial na Europa.

E o fenómeno não acontece por acaso. Ele foi premeditado e é constantemente posto em prática, com o objectivo maior de estupidificar e cristalizar conceitos nas mentes áridas.

Não satisfeito com a “californicação” das mentes de uma considerável fatia da população, o sistema leva agora os “reais” actores de Hollywood para cena política, o que demonstra que os actores políticos já não conseguem convencer. São uns canastrões.

A mais recente e pomposa actuação foi protagonizada por Matthew McConaughey, nos estúdios da Casa Branca. Uma performance digna de um Óscar.

Entre outras falas, Matthew McConaughey disse que é preciso legislar no sentido de se garantir a “posse responsável de armas” (responsible gun ownership). Ou seja, a ideia é que só se possa vender armas a quem prove que é boa pessoa (por exemplo, as que tenham tomado todas as doses da vacina contra a Covid-19) e que jure, sem fazer figas, que não vai andar por aí aos tiros. E também sugeriu que a idade mínima para comprar determinado tipo de armas deve aumentar de 18 para 21 anos, à semelhança daquilo que já foi aprovado em Nova Iorque.

Realmente, não haja dúvidas que estas medidas vão resolver o problema. Até porque as centenas de tiroteios que acontecem todos os anos nos EUA só são protagonizados por indivíduos entre os 18 e os 21 anos. Ora, se esta faixa etária estiver legalmente impedida de comprar armas, o problema resolve-se imediatamente. Até porque eles não vão tentar adquirir uma arma de forma ilegal ou até mesmo apoderar-se da arma de um familiar ou amigo. Não, nos EUA os tresloucados têm apenas entre 18 e 21 anos e se virem vedados os seus direitos de acesso às armas tornam-se logo cidadãos exemplares.

Será que o Presidente Guaidó sabe disto?

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Os EUA “autorizam” que estados independentes como a Venezuela, Espanha e Itália possam fazer negócios entre si. Se ainda houver alguém que não saiba o que significa “imperialismo”, aqui tem mais uma bela oportunidade para aprender.

Só ainda não se percebeu por que razão os EUA tomaram esta decisão sem falar com o Presidente Juan Guaidó.

Também queria um jubileu que durasse quatro dias

De preferência uma tablete Premium com 70% de cacau

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Em Portugal, os monárquicos – porque os há – costumam ser objecto de paródia, e não apenas pela população em geral, mas também pela imprensa, que costuma ter uma especial tendência para os marginalizar e ridicularizar. Porém, em relação à monarquia dos outros – sobretudo à britânica - a comunicação social já demonstra bastante interesse e até aprecia prestar a devida vénia.

Ora, estão a decorrer as celebrações do Jubileu de Platina da Rainha Isabel II, no Reino Unido. E a nossa comunicação social decidiu atribuir um destaque especial a este evento.

Então, os vários órgãos de comunicação social, sobretudo os principais canais de televisão enviaram carradas de jornalistas para Londres, de onde fazem inúmeros e infindáveis directos a partir de varandas de hotéis. Podiam muito bem fazer os directos de uma qualquer varanda lisboeta. Primeiro porque ficaria mais barato e depois porque também por cá é possível assistir às emissões da Sky News. E, no fim de contas, o papagueado seria o mesmo.

E o que pudemos observar até agora? Para já, pudemos ver jornalistas que ficam maravilhados a olhar para o céu enquanto passam alguns aviões. Alguns deles a deitar fumo colorido, com as cores da bandeira da França, perdão, da bandeira do Reino. E que lindos e emocionantes foram esses momentos. Parolos são aqueles que vão para as imediações dos nossos aeroportos, para assistir à descolagem e aterragem de aeronaves.

Entretanto, pudemos também ver a rainha a premir um botão e, eis que do nada, começaram a acender luzinhas que deixaram um árvore iluminada. Que raio de tecnologia era aquela…

Pelo meio deu ainda para constatar que também neste tema existem especialistas que vão aos blocos noticiários comentar. Portanto, anotem em local seguro que também existem especialistas para comentar jubileus de reinados. E não se ponham por aí a fazer como eu estou a fazer agora, a botar faladura sobre assuntos que não domino. Bem, a certa altura, um verdadeiro especialista na matéria disse que “esta rainha é especial porque foi abençoada por Deus”. Mau… eu posso não perceber nada de monarquias e reinados, mas a Rainha Santa Isabel era a nossa e não esta inglesinha. Mas é melhor não dizer isto muito alto, senão ainda me vão chamar de nagacionista ou de teórico da conspiração.

Houve ainda tempo para ficar a saber que se realizou um magnífico espectáculo de luzes nas Cataratas do Niágara em honra da rainha. Realmente, não sei quem é que se lembrou de fazer um espectáculo visual nas cataratas. Não sou oftalmologista, mas com cataratas receio que ninguém tenha conseguido ver algo de jeito. Talvez uns borrões.

Só foi pena que os jornalistas portugueses não tenham sido convidados para algumas festividades privadas que decorreram no Palácio de Buckingham. O Contrário sabe – de fonte segura – que foi efectuada uma majestosa exibição de máquinas a cortar fiambre, tendo vencido uma máquina de corte manual vinda directamente do antigo Ceilão que conseguiu cortar uma fatia quase invisível, de tão fina que era. Um espectáculo inolvidável.

Abastecer com um sorriso nos lábios sff

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Na próxima semana, os combustíveis voltam a subir violentamente. A gasolina deverá aumentar 14 cêntimos e o gasóleo 12 cêntimos. Este brutal aumento dá-se na sequência do anúncio do embargo da União Europeia ao petróleo proveniente da Rússia. Notem, este aumento dá-se apenas com o anúncio de um embargo que, a acontecer, só deverá ser cumprido lá para o final do ano. Portanto, imaginem quantos brutais aumentos se seguirão.

A partir de segunda-feira espera-se uma avalanche de gente a abastecer os seus veículos com um rejubilante sorriso nos lábios, tal é a sua satisfação com as sanções infligidas à Rússia ao povo europeu.

Ai como é bom sancionar a Rússia

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Ai como é bom sancionar a Rússia. Sancionar a Rússia dá saúde e faz crescer. Sancionar a Rússia faz-nos sentir bem, faz-nos crer que somos boas pessoas, com bons princípios. E nós, povos ocidentais, só temos razões para acreditar que somos gente de bem, gente que não suporta injustiças, desigualdades e autoritarismos.

Portanto, vamos todos sancionar a Rússia com muita veemência, porque é tão bom sancionar os maus, porque todos “temos que fazer um esforço para defender os nossos princípios, o nosso modo de vida, a Democracia na Ucrânia, porque os ucranianos estão a lutar por nós, porque se a Ucrânia não resistir, a seguir seremos nós”. A papagaiada do costume.

As sanções são tão boas que têm o condão de adormecer todos quantos estão a ser mais afectados por elas. Estamos provavelmente a assistir ao início de uma grave depressão que se irá abater sobre as economias ocidentais e, no entanto, a manada que deveria estar nas ruas a gritar contra estas estapafúrdias políticas está a aplaudir de pé os perpetradores das mesmas. Povos alegres e satisfeitos com uma crise auto-infligida que pode atingir proporções impensáveis.

Neste momento, a Polónia, país que recebe a maioria do armamento que é cedido à Ucrânia e a maioria dos refugiados é também um dos países que é “forçado” a não comprar mais petróleo aos russos. Entretanto, a taxa de inflação da Polónia só está nos 13,9%. Há 24 anos que a taxa de inflação não era tão elevada neste país. Já na Alemanha, a taxa de inflação atingiu o máximo dos últimos 50 anos. Ou seja, o grande motor da economia europeia já está a dar de si. Imaginem em que estado ficarão economias mais frágeis como a de Portugal.

Portanto, bora lá continuar a sancionar a Rússia, porque a estratégia de Washington está a resultar na perfeição que, como sempre referi, não é a de subjugar apenas a Rússia, mas toda a Europa. Além disso, a Rússia está a adorar as sanções. A Rússia nunca vendeu tanto petróleo e gás como agora, e a um preço bem mais elevado. O rublo – que os especialistas ocidentais diziam que iria sofrer uma hecatombe – tem vindo a valorizar solidamente e até atingiu máximos dos últimos quatro anos face ao dólar. Há pessoas – ditos especialistas – que nem sequer deram conta que a Rússia criou um sistema financeiro próprio que está a resultar na perfeição.

Mas a Europa (sobretudo a União Europeia) continua a sua pérfida campanha de propaganda de que não vai comprar mais petróleo russo. Mas, como referi, trata-se de mera propaganda. Primeiro, os responsáveis políticos fazem questão de não dizer que a sanção incide apenas sobre o petróleo que chega via marítima, já que o que vem através de pipelines continuará a entrar. Segundo, mesmo aquele que vai continuar a chegar por mar, supostamente vindo de outros destinos, cerca de 50% continuará a ser de origem russa, mas como vem misturado com petróleo de outras proveniências, já podem aparecer em público a fazer a figurinha idiota de que que estão a banir a totalidade do petróleo russo. Contudo, todas estas manobras fazem inflacionar os preços, portanto, as sanções europeias à Rússia, que muitos aplaudem e consideram necessárias, mais não fazem do que aumentar o custo de vida dos cidadãos europeus. É apenas isso. E não é coisa pouca.

As sanções à Rússia são como as vacinas contra a Covid-19 – têm uma eficácia muito abaixo do que é anunciado e por um intervalo de tempo muitíssimo curto. Já em relação aos efeitos secundários, bem, esperemos que as vacinas não sejam tão nefastas quanto as sanções.