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A aNATOmia do terror

Da "brutal provocação terrorista" ao "incidente sem importância"

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Caiu um míssil (ou dois, a informação não é precisa) na Polónia que, infelizmente causou a morte a duas pessoas. Ora se cai um míssil, a culpa é de quem? Dos russos, claro. Nem sequer importa perder tempo em saber quem foi, porque quando acontece uma coisa má, a culpa é automaticamente atribuída aos russos. “Foram os russos porque eles são uns terroristas sanguinários”. Ah…esperem, esperem… Parece que afinal o míssil foi lançado pelo lado ucraniano… “Ah sim? Então foi um incidente sem importância”. “Mas a culpa continua a ser dos russos, porque se eles não tivessem atacado, os ucranianos não se enganavam nos pontos cardeais e não confundiam o leste com o oeste”. Gentalha asquerosa.

Os defensores da escalada do confronto - e da Terceira Guerra Mundial - não perderam nem um segundo e vieram logo condenar a Rússia (com a habitual dose de raiva e ódio congénitos), exigindo que a OTAN dê uma resposta à altura e de acordo com o famoso artigo quinto, que diz que quando um país membro da OTAN é alvo de um ataque, todos os outros têm a obrigação de o defenderem e responder a esse ataque. Por outras palavras, os “claqueiros” do apocalipse ficaram em pulgas com a possibilidade de um conflito de larga escala e trataram logo de fazer rufar os tambores da guerra e aumentar a pressão nesse sentido, através da manipulação da opinião pública, claro. O habitual.

Imediatamente após o ataque na Polónia, Zelensky vestiu a sua t-shirt verde e disse o seguinte: “Mísseis russos atingiram a Polónia, território de um país nosso amigo. Pessoas morreram. Por favor aceitem as condolências de todos os irmãos ucranianos. Polónia e estados bálticos… É só uma questão de tempo até que o terror russo vá mais longe. Nós temos que colocar os terroristas na ordem.”. E exigiu que a OTAN responda massivamente contra a Rússia. Enfim, Zelensky só fez o habitual teatrinho para engrupir pacóvios.

Mas como a "operação de bandeira falsa" levada a cabo pelo regime de Zelensky foi tão mal executada, à OTAN não restou outra alternativa senão ter que confirmar que o ataque foi perpetrado pela Ucrânia (por acidente, pois claro) e não pela Rússia. No entanto, Zelensky continua fiel ao guião que lhe foi entregue e insiste em sustentar que se tratou de um ataque terrorista por parte da Rússia. Vejamos, o Zelensky tem toda a razão em continuar a insistir no desempenho do papel que lhe foi atribuído. Então, anda o indivíduo há nove meses a actuar todos os dias perante as câmaras do mediatismo – e até já recebeu um Óscar – e nunca ninguém o desmentiu, muito pelo contrário, sempre o apoiaram. E agora ninguém alinha na patranha?

Fica-se até com a sensação de que a OTAN está prestes a puxar a serapilheira que ainda segura o “herói” da t-shirt verde. E se a isso juntarmos o facto de que em Washington começam a ser muitas as vozes que se erguem contra os incentivos à manutenção e escalada do conflito, e que defendem a realização de conversações de paz com a Rússia, essa sensação ganha ainda mais força.

Uma outra preciosidade que se ouviu nas últimas horas foram as declarações do secretário-geral da OTAN, que disse que “é urgente parar com o conflito” e que “o caminho da OTAN passa por apoiar a Ucrânia, no que toca a reforço militar, mas também abrir caminho para futuro diálogo de paz”. Jens Stoltenberg entende que é preciso “apoiar a Ucrânia para que esta possa estar em melhores condições para se sentar à mesa de negociações com a Rússia”. O quê?

Se o objectivo é o de colocar a Ucrânia em melhores condições de negociar a paz, então não deveria ter avançado para a mesa das negociações há já muitos meses? Não deveria a OTAN ter pressionado Zelensky para um acordo de paz logo no início da invasão? Que raio de "melhor posição negocial" ganhou a Ucrânia com o desenrolar do conflito? A resposta é rigorosamente nada, muito pelo contrário. A Ucrânia só perdeu, em vidas humanas e em território (cerca de 20%, por enquanto), que jamais recuperará.

Portanto, se ainda restava dúvidas a alguém, as declarações do senhor Stoltenberg e a alteração da postura da OTAN só vêm demonstrar que os objectivos desta organização eram apenas os de instrumentalizar a Ucrânia numa guerra contra a Rússia, de tentar enfraquecer a posição da Rússia no panorama mundial e, simultaneamente, acabar com o abastecimento de petróleo e gás à Europa (para que sejam os EUA a fornecer) e – por último, mas não menos importante – para fazer jorrar milhares de milhões para a indústria de armamento norte-americana.

A OTAN (ou NATO, como preferirem) é apenas isto – uma organização que só serve para veicular e branquear os mais sórdidos intentos do maior estado terrorista à face do planeta.

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