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RAPIDINHA

A arrogância de Costa tem respaldo democrático

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Marco Capitão Ferreira, agora ex-secretário de Estado da Defesa Nacional, apresentou a sua demissão do cargo, na sequência de ter sido constituído arguido no processo Tempestade Perfeita. Marco Ferreira está acusado de corrupção e participação económica em negócio. Em causa está o facto de ter recebido mais de 60 mil euros por um trabalho de assessoria na negociação da compra de helicópteros – um trabalhinho que terá durado 5 dias. Mas foram dias de muito árduo esforço e dedicação.

Em Janeiro deste ano também se tomou conhecimento do caso das obras realizadas no Hospital Militar de Belém, que viram o seu custo final inflacionadas de 750 mil euros para mais de três milhões de euros. Na altura do negócio, o ministro da Defesa Nacional era o actual ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho, que não só não foi capaz de explicar a tremenda derrapagem, como ainda garantiu que soube previamente de que iria ocorrer um aumento no valor, mas que não deu nenhuma autorização de pagamento. Não, não foi ele que autorizou. Foi o padre Inácio. 

Perante tantos escândalos, suspeitas de corrupção, desonestidade e falta de qualquer condição para gerir a coisa pública, o primeiro-ministro António Costa vem dizer que os portugueses não estão interessados nestes “casos e casinhos”, e que aquilo que os portugueses querem a saber como se combate a inflação (como se o seu governo estivesse a fazer alguma coisa nesse sentido). Aquilo que sabemos é que António Costa não se estava a referir à inflação que todos os negócios públicos sofrem – há muitos anos e todos os dias – neste país.

Esse é e sempre foi o maior problema. A esmagadora maioria das compras públicas são sempre inflacionadas, no sentido de pagar luvas e luvinhas às partes envolvidas. E quando não há luvas e luvinhas em formato de sacos e malas de notas, há troca de influências, de favores pessoais, e promessas de tachos e tachinhos para a malta amiga. Não, este tipo de situações não são casos isolados. São o prato do dia em tudo que é organismo público. É assim há - pelo menos - quase 50 anos. E os culpados de tudo isto são aqueles que têm partilhado o poder – o bloco central (PS, PSD e CDS). Nenhum dos governos destes três partidos fez nada para acabar com este sistema putrefacto, muito pelo contrário, todos eles se servem dele o máximo que podem. E esse é o seu único desígnio. Como bem dizia o outro: “está na hora de ir ao pote”.

Mas Costa terá razão quando diz que os portugueses não estão interessados nestes “casos e casinhos”. A arrogância de Costa tem base democrática, isto é, tem o apoio daqueles que há não muito tempo lhe ofereceram uma maioria absoluta numa bandeja. Na verdade, a maioria dos portugueses continua a votar nos mesmos de sempre e, assim, a perpetuar um sistema que corrói a democracia e delapida o Estado. Tal como sugere António Costa, a maioria dos portugueses não está muito incomodada com a política de expedientes vigente.