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Contrário

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A canção do Diogo “Piçarreira”

Por acaso, mas foi mesmo por acaso, que no Domingo pude assistir em directo à actuação do Diogo Piçarra no Festival da Canção. O tema que interpretou chama-se “Canção do Fim” e, devo dizer que logo aos primeiros acordes fiquei com a sensação de que já tinha ouvido aquilo em qualquer lado. O Piçarra ainda não tinha começado a cantar e o instrumental já nos remetia para o tema “The Blower’s Daughter” do Damien Rice. À medida que a canção se foi desenrolando, deu para perceber que a colagem não era assim tão evidente, podia ser apenas inspiração. Se bem que, para mim, uma canção perde logo o seu valor se eu achar que se assemelha muito a outra que já existe. Eu sei que os fãs do Tony Carreira discordam…

 

Se atentarmos bem no vocal, também podemos encontrar semelhanças com o tema “Telepatia” de Lara Li e, até mesmo com “A Ternura dos 40” do Paco Bandeira. Por isso é que para se falar em plágio é necessário muito mais do que “fazer lembrar”, “ser parecido” ou “fortemente inspirado”, propositadamente ou não. E foi por isso que, logo no momento, deixei as minhas desconfianças de lado e esqueci o assunto. Até que ontem, a IURD queixou-se de um dos seus cânticos estar a ser alvo de plágio, por parte do Diogo Piçarra.

 

Pois é. É aqui que as coisas ficam muito feias para o Piçarra. Afinal não se trata de “forte inspiração” ou “semelhança”, a canção do Piçarra é a cara chapada de uma outra canção (que eu desconhecia) de um pastor da IURD, tema que terá sido criado em 1979. Como é que o pastor se foi lembrar de copiar uma canção de um artista que ainda não tinha nascido? Só pode ser mais um milagre da IURD.

 

Em sua defesa, Diogo Piçarra já veio dizer que “está de consciência tranquila”, tal como o Tony Carreira sempre esteve. Disse ainda que “a simplicidade tem destas coisas”. Realmente, não há nada mais simples que pegar numa canção que já existe e apropriar-se dela.

 

Tal como na “novela Tony Carreira”, já se ouve e se lê muita gente a tentar negar as evidências. Dizem “ah, o instrumental não é igual”, “ah, o tempo nas canções não é o mesmo” e até há quem diga que “a letra é diferente”, isso é porque o Piçarra não quis ser tão Tony. Caríssimos, a melodia do vocal é a mesma. Ambos os temas têm uma característica comum, isto é, a particularidade da estrutura melódica das canções ser igual do princípio ao fim. Não existe uma estrutura típica, composta por versos + refrão + versos + refrão + ponte + final, com variações melódicas. Nada disso. É, simplesmente, sempre igual em ambos os casos. E por essa razão, também ambas são extremamente curtas. É coincidência a mais para ser mera coincidência.

 

Vá lá Piçarra! Pede desculpa e anuncia a tua retirada do Festival da Canção. Não coloques o júri numa situação ainda mais constrangedora.

 

 

 

 

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