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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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A desculpa esfarrapada da estirpe inglesa

Ninguém compreende que, só agora, se tome a decisão de encerrar as escolas. O seu encerramento já deveria ter acontecido há várias semanas, mas, mesmo considerando as razões alegadas por António Costa por, só agora, tomar essa decisão, facilmente constatamos que essas razões já existiam e já se anteviam há muito tempo.

Só para que se note a perfídia do discurso de António Costa, basta atentar naquilo que disse ontem em Bruxelas, repito, ONTEM, o Primeiro-ministro disse que não havia razões para fechar as escolas e que estas eram sítios seguros. E, à noitinha, por força da pressão à qual ele sempre disse que não cederia, mudou de opinião, como se alguém, agora, fosse papar a desculpa esfarrapada de que surgiram novos dados, assim, da tarde para a noite. E mesmo que fosse verdade o aparecimento de novos dados, isso não invalida o facto de que os dados que já eram conhecidos, há semanas, constituíam razões suficientemente fortes para essa tomada de decisão.

Vem agora com a “treta” da estirpe inglesa. Qual estirpe senhor Primeiro-ministro? Aquela que o senhor desvalorizou em Dezembro, atestando que não havia necessidade de restringir e/ou limitar os voos com o Reino Unido? António Costa não quis perturbar o regresso de emigrantes portugueses que, em grande número, vieram passar o Natal a casa. Todos vimos no que isso deu. Mas a culpa não foi dele, claro que não. A culpa nunca é dele.

Portanto, Costa e Marcelo mudaram radicalmente de opinião, numa questão de horas, quando há várias semanas que a esmagadora maioria dos portugueses clamava por esta decisão.

Mas atenção. Costa mantém o descaramento de dizer que as escolas não são locais de significativa transmissão do vírus. E que são locais seguros. Isto é uma tremenda MENTIRA.

E anuncia que o encerramento terá efeito, apenas, por 15 dias. Passa pela cabeça de alguém que 15 dias serão suficientes? Considerará António Costa que, neste momento, também não dispõe de informação suficiente para perceber, desde já, que nem um mês será suficiente? É óbvio que nem um mês será suficiente, provavelmente nem dois meses.

E continua a sustentar a patética argumentação dos danos “irreversíveis” que a interrupção das actividades lectivas tem nos alunos. Segundo Costa, esse tempo perdido “nunca mais será recuperado”. Portanto, todos os alunos que tiveram e continuam a ter que ficar em quarentena (e são milhares), nunca mais recuperarão o tempo que estiveram e estarão impedidos de ir às aulas. E todos os alunos que ficam impedidos de ir às aulas por outras razões imperiosas, por períodos de tempo consideráveis (e isso acontece todos os anos), também nunca mais recuperam. A julgar por esta linha de raciocínio de António Costa depreende-se que, tanto ele como a maioria dos políticos que acompanham a sua corrente de pensamento, devem ter ficado impedidos de ir às aulas por muito tempo, no passado.

Costa continua a mentir descaradamente, só para justificar a sua incompetência e falta de capacidade de antecipação. Isto é gravíssimo num chefe de governo, principalmente quando está em causa a saúde e a vida das pessoas.

Não aceito que digam que este não é momento ideal para atacar os líderes políticos, isso é coisa da brigada do politicamente correcto. Os líderes políticos ignoraram a gravidade da situação e tardaram a tomar a única decisão que estava à vista de todos, apesar de todos os avisos e de todas as sirenes estarem a berrar. Milhares de pessoas morreram e muitas outras continuarão a morrer, porque o efeito de um verdadeiro confinamento leva tempo a produzir os resultados desejados.

Estamos, todos, a lidar com uma situação grave de saúde pública, é certo, daí resulta que todos temos responsabilidade nos comportamentos que tomamos em defesa desse bem maior. Contudo, não podemos esquecer o plano político e as importantes decisões que, apenas alguns, estão em condições de as tomar. Essas pessoas demonstraram não estar à altura de representar o povo português, mostrando total desrespeito por esse bem maior que é a vida de cada um de nós.

Devo ainda notar que não houve, sequer, um sincero reconhecer do erro e uma sincera assunção de responsabilidades. Não. O que houve foi um acusar e passar de culpas para cima dos cidadãos e uma constante negação do óbvio e propagação de mentiras. Isto tem que ser dito e não pode ser esquecido.

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