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RAPIDINHA

A dignidade e a justiça do governo de Costa e Medina

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O Orçamento do Estado para 2022 contempla – tal como já estava previsto desde o ano passado – um aumento extra de 10 euros para as pensões até 1.008 euros. Também como já estava previsto, este aumento terá efeitos retroactivos a Janeiro deste ano. Recordemos que António Costa não quis efectivar esse aumento no início deste ano, porque havia eleições no final de Janeiro e Costa quis deixar no ar a ameaça de que se não votassem nele, não haveria aumento extraordinário. Como o resultado das eleições foi o que todos sabemos, parece justo dizer que a manobra de Costa surtiu os efeitos desejados.

Voltando ao aumento extraordinário das pensões até 1.008 euros, será que é justo aumentar extraordinariamente a pensão de uma pessoa que aufere 300 euros mensais e, simultaneamente, aumentar no mesmo valor a pensão mensal de uma outra pessoa que aufere 1.000 euros? Esqueçamos até por breves instante a ridicularia que representa o aumento extraordinário das pensões, será que o Governo deve aumentar uma mísera pensão de 300 euros no mesmo valor que aumenta uma pensão que é mais de três vezes superior?

O senhor Ministro das Finanças, Fernando Medina, disse que “Esta é seguramente uma das medidas que mais nos convocou para a aceleração na aprovação deste Orçamento. Porque é da maior importância e justiça que os pensionistas possam ver e encontrar no OE2022 resposta, não só ao aumento dos custos mas também à necessidade de reforçarem uma vida com um pouco mais de condições, um pouco mais de dignidade”.

Portanto, Medina diz que o seu governo acelerou a aprovação deste Orçamento especialmente para socorrer os pensionistas mais desfavorecidos, quando todos sabemos que esta medida já poderia ter entrado em vigor em Janeiro deste ano. Medina tem ainda o desplante de afirmar que este ridículo aumento de 10 euros vai dar resposta às necessidades dos mais desfavorecidos, que vai reforçar as suas condições de vida e conferir-lhes um pouco mais de dignidade.

Realmente, é preciso muito descaramento para considerar que uma esmola de 10 euros - que em muitos casos vai parar ao bolso de pessoas que sobrevivem com pensões miseráveis – é uma medida justa, que dá resposta às necessidades, que melhora as condições de vida e que atribui dignidade às pessoas, quando sabemos que estes 10 euros representam uma gotícula de água na cada vez maior labareda de aumento de preços dos bens essenciais.