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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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A falta de espinha dorsal do Governo de Portugal e da UE

O Governo português reconheceu Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela. Ainda pensei que houvesse alguma rectidão neste Governo, nomeadamente no que respeita às relações externas e ao respeito pela soberania dos Estados.

 

O Governo português não resistiu e alinhou com a “directiva” da União Europeia que, por sua vez, alinha cega e repetidamente com aquilo que os EUA mandarem. Esquisito constatar que neste particular todos concordam com Trump, que não descarta a possibilidade de intervir militarmente na Venezuela.

 

Recordemos que a Venezuela é um Estado soberano. Independentemente das paixões políticas, das ideologias e das políticas económicas, um Estado soberano é um Estado soberano e, portanto, há limites muito vincados no que respeita à ingerência externa. O facto de reconhecer Juan Guaidó como presidente interino é um acto de extrema ingerência na governação da Venezuela.

 

Recordemos ainda que, durante consecutivos anos, diferentes Governos de Portugal mantiveram boas relações com o Governo venezuelano, quer com Chávez quer com Maduro. Agora, o Governo português pretende ser um factor de fragmentação da actual liderança política na Venezuela, com quem manteve boas relações. Querem que haja eleições livres na Venezuela? Tudo bem. Querem que o país ultrapasse a difícil situação em que se encontra? Ainda melhor. Mas, seguramente, não é a reconhecer um pau-mandado dos EUA como presidente interino que o problema se resolve, muito pelo contrário.

 

Juan Guaidó – o fantoche de Washington

 

Guaidó esteve na CNN, e no New York Times, e falou como se fosse o líder da Venezuela, como se fosse o salvador da pátria. Dadas as parecenças físicas que tem com Obama, podemos dizer que Guaidó é o sonho americano para liderar a Venezuela. Não nos podemos esquecer que a Venezuela tem maior reserva de petróleo do mundo e ouro é coisa que também abunda por aqueles lados. Isso aguça, e de que maneira, o apetite das potencias internacionais. E bem sabemos que a China leva vantagem nessa disputa, razão pela qual os EUA querem, a toda a força, impor a sua escolha na liderança do país.

 

Poderão dizer: "Ah… mas a liderança de Maduro tem-se mostrado incompetente para resolver os problemas que o país enfrenta". Sim, é verdade. Mas também não podemos ignorar que a pressão negativa, aplicação de sanções e bloqueio económico que os EUA exercem sobre o país é tão, ou mais, responsável pela situação actual da Venezuela.

 

Mas aquilo que mais me envergonha, apesar de não me surpreender muito, é a posição do Governo português, que ultrapassa todas as marcas que são o sustentáculo das boas relações entre os Estados. Podem dizer o pior sobre Maduro, mas a verdade é que Maduro já foi a votos, Guaidó não. Reconhecer a autoproclamação de Guaidó como Presidente da Venezuela é, no mínimo, irresponsável e altamente reprovável.

 

No seio da União Europeia e em Portugal parece haver muito incómodo com a liderança de Maduro, do seu regime ou ideologia. Agora, só agora e só depois de Trump ter dado o mote. Contudo, não vejo ninguém incomodado com a liderança chinesa, muito pelo contrário. Aqui por Portugal até houve governos que lhes venderam as jóias da coroa e lhes ofereceram vistos dourados.

 

Quanta hipocrisia e falta de verticalidade.

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