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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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A imoralidade da EDP

À semelhança do que costuma acontecer por esta altura do ano, a EDP anda por aí a dizer que é provável que o preço da electricidade volte a subir. Desta vez, foi o administrador da EDP Comercial, António Coutinho, que disse “os custos podem agravar-se e ter impacto no cliente final, que é sempre quem paga”. O próprio António Mexia já havia dito que o preço da electricidade em Portugal não é caro, deixando no ar aquilo que a empresa estaria a pensar fazer no curto-prazo. A EDP queixa-se da carga fiscal (que considera pesada) e admite que isso poderá implicar um aumento do preço da electricidade.

 

Ora vejamos, a EDP teve um lucro de 1.147 milhões de euros nos primeiros 9 meses deste ano. Trata-se de um brutal aumento dos lucros da empresa (cerca de 86%), muito à custa da venda da Naturgas. Contudo, se não se considerar os proveitos da referida venda, ainda assim os lucros seriam de cerca de 600 milhões de euros (menos 4% face ao período homólogo).

 

Voltemos à questão do provável aumento do preço da electricidade. A EDP alega que tal se deverá à carga fiscal. Estranha-se o facto de a EDP se queixar da carga fiscal quando o accionista China Three Gorges não tem pago impostos pelos dividendos que obtém da EDP. Estamos a falar da módica quantia de 725 milhões de euros em apenas 5 anos.

 

Quem não paga imposto sobre os dividendos não tem grande moral para se queixar da carga fiscal, muito menos para usar esse factor como justificação para o aumento do preço ao consumidor final.

 

E a entidade reguladora? O que pensará desta postura?