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A inocência dos U2

Os U2 lançaram, no passado dia 9 de Setembro, o seu novo álbum de originais "Songs Of Innocence". O lançamento do novo álbum dos U2 tem sido muito comentado, como sempre, há quem goste, quem não goste e quem não queira saber. Foi, dizem, o maior lançamento discográfico de sempre, já que tendo sido feito através da Apple (iTunes) tem a possibilidade de atingir rapidamente 500 milhões de utilizadores em todo o mundo. Trata-se de uma jogada de marketing que, obviamente interessa a ambas as partes (U2 e Apple). Os U2 disseram que foi a melhor maneira de lançarem o álbum de forma gratuita… tenho as minhas dúvidas… o álbum poderia ser lançado gratuitamente, sem que a banda tivesse que vendê-lo à Apple ou a qualquer outra marca. Portanto, a Apple pagou e bem pelo álbum dos U2, os U2 enfardelaram muito mais pela venda do álbum à Apple, do que alguma vez poderiam lucrar com a venda nos circuitos de distribuição habituais. Então, parece que saem todos a ganhar. Os U2 ganham mais (dinheiro e popularidade, algo que não precisam), a Apple ganha muito em n.º de utilizações, n.º de downloads, novos registos/utilizadores, imagem e naturalmente, em vendas. Só a título de exemplo a iTunes Store aumentou drasticamente o n.º de canções e álbuns vendidos dos U2 e outros artistas, após este lançamento inédito. E os fãs da banda? Os fãs podem ter o álbum de graça, é sempre melhor do que pagá-lo! Mas… e a imagem da banda perante os fãs? Gostarão os fãs de verem a sua banda favorita renderem-se às novas contingências do mercado? Os U2 não são uma banda qualquer, sendo que os seus fãs tendem a considerar a sua música como uma obra artística, ora, deve um artista submeter a sua criatividade às leis do mercado ou de uma marca? Até que ponto a criatividade dos U2 não é influenciada pelo mercado e por estas jogadas de marketing? Os fãs preferirão um trabalho musical bonitinho, cheio de adornos e lançado com pompa e circunstância? Ou preferirão um trabalho 100% genuíno? Sem influências externas… Será possível um artista ser verdadeiro na sua criação quando se sujeita às exigências do mercado? 

 

Foram necessários 5 anos, 7 estúdios de gravação e 5 produtores (Danger Mouse, Paul Epworth, Ryan Tedder, Declan Gaffney e Flood). Parece-me tratar-se de gente a mais na produção de um álbum. Acima de tudo, parece-me não haver qualidade suficiente e adequada aos U2, nos produtores envolvidos. Não é que o álbum seja mau em termos de sonoridade, ou que esses produtores não saibam "mexer" nos novos equipamentos de produção, pois não tenho dúvidas que sabem. Aliás, basta ver os nomes a que costumam estar associados, com excepção de Flood (que considero um bom produtor para os U2), todos os outros estão habituados a trabalhar com um conjunto de artistas que, na maioria dos casos, nos apresentam uma musiquinha a roçar o foleiro, mas que bem disfarçada pelas produções modernas se tornam êxitos à escala mundial. Sinceramente, não creio que os U2 necessitem deste tipo de produtores. Parece-me antes, que os U2 estão a aliar-se aos seus próprios coveiros. Será inocência a mais?

 

Ouvi "Songs Of Innocence" inúmeras vezes. Não é mau. É bem melhor do que qualquer álbum dos seus pretensiosos imitadores (Coldplay, The Killers, One Republic, 30 Seconds To Mars, etc.). Contudo, quem se habituou a ver os U2 inovarem e surpreenderem de cada vez que lançavam um novo álbum (até ao All That You Can’t Leave Behind), mais uma vez não será surpreendido.

 

É isso que mais me tem chateado nos últimos trabalhos dos U2, o facto de já não serem capazes de surpreender, de trazerem algo novo tal como nos habituaram antes. Os 3 últimos álbuns de originais dos U2 padecem do mesmo problema. São bons álbuns. Merecem ser escutados, mas não trazem nada de novo. Estão aquém de qualquer anterior álbum da banda. 

 

Continuarei à espera de voltar a ser surpreendido.

 

 

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