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Contrário

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A lição das eleições americanas

Uma vez mais devo começar pela minha habitual declaração de interesse, no que às eleições norte-americanas diz respeito. Sinceramente não reconheço grande importância às escolhas que os norte-americanos fazem para a presidência do seu país. A este assunto costumo dedicar uma atenção de índole recreativa. Contudo, interessa-me aquilo que por aqui se diz sobre o assunto, porque isso demonstra um padrão de raciocínio que invariavelmente se repete na avaliação das questões nacionais.

Uma das coisas que mais tenho lido e ouvido é que Portugal tem muito a aprender com as eleições americanas. Bem, se tivermos em conta a forte componente hollywoodesca que os camones conferem à coisa, aí sim, temos muito que aprender. No resto, não estou a ver que lições poderemos retirar daquela comediografia. Eu diria que as eleições americanas ensinam-nos tanto como os actos eleitorais que decorrem na Costa do Marfim ou na Guiné-Conacri. Mas cada um saberá de quem leva lições.

Entretanto, há um facto que ainda não vi ninguém abordar, mas que tem o seu interesse, sobretudo para perceber como determinadas pessoas assumem comportamentos completamente díspares face a situações semelhantes.

Vejamos, em 2016, muito se falou na eventual interferência russa na eleição presidencial dos EUA. Depois de os resultados eleitorais terem determinado a vitória de Trump, foram muitos os que não tiveram dúvidas de que a eleição havia sido manipulada por Putin. Agora, os mesmos que em 2016 não tinham qualquer dúvida sobre a fraude eleitoral são os mesmos que não admitem qualquer possibilidade de falsificação nos votos por correspondência.

Portanto, há pessoas que atribuem maior plausibilidade ao facto de Putin ter o poder de conseguir ludibriar o mais avançado serviço de inteligência e invadir o mais sofisticado sistema de segurança do mundo e, dessa forma, decidir o resultado de uma eleição presidencial dos EUA, do que uma eventual falsificação de boletins de votos por correspondência. Falsificar boletins de voto? Pode lá ser…

Todos sabemos que os votos por correspondência foram transportados pelos mais competentes e imparciais pombos-correio da USPS, mas tendo a aceitar que esta segunda suposição é bem mais verosímil, porque apesar de os pombos-correio serem muito profissionais e honestos, nunca se sabe o que pode acontecer aquando das suas paragens para abastecimento nos infindáveis campos de milho.

Eu não ponho as mãos no fogo por nenhuma das situações. Considero que ambas podem ter acontecido, como podem ser pura invenção de quem não gostou de perder. O que eu não aceito é que alguém possa dizer que uma coisa aconteceu e a outra não, quando não há evidências que sustentem qualquer uma delas. Pelo menos até agora.

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