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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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A negociata dos testes antigénio

Hoje não me vou focar no facto de os testes antigénio serem uma falácia na prevenção e combate à Covid-19, pois como aqui já referi várias vezes, este tipo de testes são de sensibilidade baixa e costumam apresentar um elevado número de falsos negativos. Hoje venho apenas colocar uma dúvida sobre o negócio em volta deste tipo de testes.

A União Europeia (UE) informou que adquiriu cerca de 20 milhões de testes antigénio por cerca de 100 milhões de euros, portanto, cerca de 5 euros por cada teste. Portugal deverá receber cerca de 1 milhão de testes.

Não obstante, há não muito tempo, António Costa havia informado que o Governo iria investir 20 milhões de euros neste tipo de testes, só para as escolas. Contudo, não referiu quantos testes iriam ser adquiridos com esse montante.

Entretanto, a Câmara Municipal de Lisboa avançou que iria investir 15 milhões de euros em testes rápidos, isto só para o concelho de Lisboa, claro.

Ao consultar o portal Base, após uma rápida pesquisa, verifica-se a existência de inúmeros contractos públicos tendo em vista a aquisição deste tipo de testes. Note-se que este tipo de contractos são por ajuste directo. Note-se ainda que algumas entidades públicas adquiriram testes antigénio ao preço unitário de 37 euros, outras a 17 euros, enfim, há para todos os gostos, sendo que muitos desses contractos nem sequer apresentam a quantidade adquirida.

Ora, não seria muito mais eficaz e sobretudo mais barato para o Estado se a compra destes testes fosse centralizada? Não há lógica de mercado nos negócios onde quem paga é o Zé Povinho?

Parece que não. Aliás, basta atentar no grande negócio que fez a UE, que adquiriu 20 milhões de testes ao preço unitário de 5 euros, falta saber se com ou sem IVA.

Eu tenho uma novidade para os senhores governantes. Eu consigo comprar este mesmo tipo de testes numa farmácia, ao preço unitário de 4,99 euros (IVA incluído). Ou seja, a UE não consegue ter poder negocial junto dos fabricantes, já que adquire milhões de testes ao mesmo preço que eu os adquiro no fim da cadeia de fornecimento, isto é, na farmácia, já depois de o fabricante, o distribuidor, a respectiva farmácia e o próprio Estado (em sede de IVA) terem incluído a sua margem.

O erário público sempre a alimentar excelentes negócios.