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A pandemia da apatia

Andam todos entretidos com a antecipação das eleições que ninguém se dá conta que a pandemia está a ganhar força novamente, tal como aqui antevi inúmeras vezes. Quando as coisas estiverem descontroladas – e não deverá faltar muito - aparecerão as caras do costume a dizer o costume. Só que desta vez não há mesmo desculpa possível, porque aquilo que esses se apressaram a papaguear foi de que Portugal venceu o vírus, que Portugal já não têm pandemia e que o país foi libertado. Há meses que se referem à pandemia no pretérito perfeito.

Continuam a confiar cegamente em vacinas que já vão na terceira dose, em apenas nove meses. Por aí logo se vê a baixa eficácia das mesmas. Como o principal período de incremento da vacinação em Portugal coincidiu com o Verão – e note-se que por cá o Verão só terminou há uma semana – alguns ficaram com a ideia de que os números moderados da pandemia se deveram exclusivamente ao processo vacinal. Tenho sérias dúvidas. Com o fim de quase todas as restrições, com o retomar das actividades lectivas e laborais em pleno e, acima de tudo, com a chegada da estação mais fria e húmida já se sabe que os números da pandemia vão disparar. Se considerarmos que este ano tivemos mais de um mês de tempo quente, face ao ano passado, depressa se conclui que esta é, provavelmente, a principal razão de os números da pandemia ainda não terem disparado, tal como já acontece noutros países e não apenas devido ao nível de vacinação.

Mas aqueles que até há duas semanas atrás andavam a dizer: “estão a ver, com 85% de vacinados e com o retomar da normalidade os novos casos não aumentaram” - era o que diziam e, note-se, que a testagem baixou muito significativamente após se ter atingido essa meta - agora dizem: “sim, os novos casos estão a aumentar, mas isso não se reflecte nos internamentos e nas mortes”. Ou seja, continuam a enfiar a cabeça na areia. Claro que os internamentos e as mortes não acompanham o aumento do número de novos casos em simultâneo. Ou seja, os internamentos e as mortes aumentam várias semanas depois de haver um significativo acréscimo de novos casos. Muito provavelmente não irão atingir os números do início deste ano – também era o que mais faltava -, contudo, parece-me óbvio que vão aumentar o suficiente para colocar em causa a prestação dos cuidados de saúde.

Aquilo que se vê é um completo estado de apatia face à pandemia, à espera para ver, como sempre foi. Também continuamos a ver estádios de futebol bastante compostos de assistência que, na maioria dos casos não usa máscara que, tanto quanto se sabe é obrigatória, mas ninguém faz nada. Depois as discotecas, os bares, os restaurantes, os locais de trabalho – onde o governo delegou nos patrões a verificação da necessidade de uso obrigatório da máscara –, mais a abertura total das visitas aos lares, quando em muitos deles já ocorrem surtos e, claro, o ajuntamento das pessoas em locais fechados, devido à chegada do tempo frio. Portanto, o cenário está mesmo a jeito. E as novas variantes ainda não apareceram ou, pelo menos, ainda não ganharam força.

Mas o que interessa agora é a data das eleições que o Marcelo vai anunciar. Isso da pandemia já era. Porquê ficar preocupado, quando o vice-almirante já matou o bicho? Esmagando-o bem esmagadinho com as suas botas tropa.

2 comentários

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    contrário

    15.11.21

    Boa tarde,
    li a sua história e, infelizmente, não fiquei surpreendido. Como referiu é algo que grassa por todo o lado.
    Quanto aos certificados de vacinação como medida de controlo, muito sinceramente, não creio que surta qualquer efeito. Além de inconstitucionais e de violarem os direitos de circulação e a protecção de dados dos cidadãos, os certificados não acrescentam nada ao controlo da pandemia, já que qualquer pessoa vacinada também poderá constituir um vector de contágio.
    É das medidas mais autoritárias que eu já vivenciei e, no entanto, foi aceite - com agrado até - pela maioria das pessoas, como se de uma coisa normal se tratasse.
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