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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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A "responsabilidade" e a "sensatez" de Marcelo

Marcelo Rebelo de Sousa tem sido questionado sobre a necessidade de voltar a implementar o uso obrigatório da máscara em todos os espaços fechados. Marcelo tem respondido sempre da mesma forma, ou seja, tem dito que isso poderá voltar a acontecer “se os especialistas e autoridades de saúde assim aconselharem”. Recordemos que também António Costa tem dito a mesma coisa.

Convinha recordar que “os especialistas” e as autoridades da saúde (DGS) mostraram-se contra o fim do uso obrigatório da máscara em espaços fechados, medida que entrou em vigor a 22 de Abril pelas mãos do Governo e do Presidente da República. Convém também salientar que os mesmos especialistas ainda não alteraram a sua convicção, muito pelo contrário, têm-se fartado de alertar para a necessidade de voltar a implementar o uso da máscara em espaços fechados, aumentar a testagem, etc.

Portanto, há aqui qualquer coisa que não bate certo. Marcelo e Costa dizem – e sempre disseram – que cabe aos especialistas determinar as medidas de saúde mais adequadas, mas não demonstram qualquer interesse em seguir as suas recomendações agora.

Ontem, Marcelo esteve numa das instalações do Banco Alimentar, um espaço fechado onde as pessoas se amontoavam. Marcelo deu beijinhos, tirou selfies e embrulhou-se na maralha. Sempre sem máscara, claro.

Ora, Marcelo não cometeu nenhuma ilegalidade, já que ele próprio promulgou a lei que o permite comportar-se como se viu. A questão aqui é outra. Um Presidente da República que ignora as instruções dos especialistas e que se atira desta forma para o meio da populaça, quando questionado sobre o uso obrigatório da máscara só tem que responder que isso é coisa do passado, que já não é necessário e que as pessoas não necessitam de ter qualquer tipo de cuidados (distanciamento, etc.), porque é isso que ele faz. Porque é essa a mensagem que ele passa, mesmo quando acrescenta que “confia na responsabilidade e na sensatez dos portugueses”.

Qual responsabilidade e sensatez? Aquelas que ele anda por aí a pregar?

Marcelo continua a ser um fervoroso apologista do lema "olha para o que eu digo, não olhes para o que eu faço", tal como no Natal de 2020.