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A retirada de Kherson e um Zelensky cada vez mais perto da capitulação

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Após a retirada russa da cidade de Kherson foi um tal atirar foguetes para o ar no “mundo ocidental”. Políticos e comunicação social, sempre muito bem orquestrados, trataram logo de cavalgar o acontecimento como sendo “um enorme fracasso estratégico” do lado russo, “uma humilhação para Putin” e, por outro lado, “uma estrondosa vitória” para o lado ucraniano.

Mas será que foi mesmo isso que aconteceu? Não creio que seja necessário ser-se um grande especialista em conflitos armados para perceber que num cenário desta natureza costuma haver avanços e recuos no terreno. E isso nada tem a ver com estratégia política, mas sim com deliberações de natureza exclusivamente militar.

Vejamos, o exército russo encontrava-se em clara inferioridade numérica em Kherson, e a somar a esse factor, o lado russo preocupou-se em garantir a segurança da população residente em Kherson que, para quem não sabe é esmagadoramente pró-russa. Como é sabido, o exército russo procedeu à remoção da maioria dos civis daquela área. Além destes dois factores de suma importância – protecção dos civis e do seu exército – não podemos esquecer de que existe uma barragem no rio Dniepre, a montante de Kherson e que os ucranianos ameaçaram rebentá-la, algo que provocaria rápidas e violentas inundações que, por sua vez, tornaria impossível as movimentações no terreno, isto para não falar na catástrofe humanitária que resultaria dessas inundações. Uma vez mais, ficou claro como cada um dos lados interpreta a realidade e, acima de tudo, a forma como cada um se preocupa com os civis.

Portanto, os russos recuaram para a margem esquerda do rio Dniepre, que é uma área mais vantajosa, do ponto de vista de quem combate, por ser mais elevada, e o “ocidente orquestrado” quer fazer o povo acreditar - para continuar a alimentar a máquina de guerra - que o exército ucraniano está a ter grandes vitórias e o russo pesadas derrotas. Vejamos, nos últimos meses, as forças ucranianas avançaram com tudo o que tinham em três regiões: Kharkov, Zaporizhia e Kherson. Estas três investidas custaram muitos milhares de vidas ao exército ucraniano, que está cada vez mais em vias de extinção, sendo que do lado russo as perdas foram muitíssimo menores, cerca de um décimo.

Aquilo que se pode dizer sobre a retirada de civis e do exército russo de Kherson é que não só constitui uma inteligente decisão operacional do lado russo, como não deixa dúvidas que pode constituir uma penosa “armadilha” - feita às claras, diga-se - para os ucranianos que, aparentemente estão dispostos a atirar-se de cabeça na sua direcção, empurrados pelo insano líder Zelensky.

Alguns “especialistas” do comentário até chegam a dizer que, com esta retirada, Putin está a abandonar território russo (recordemos que Kherson é considerado território russo desde os referendos). É gente que não faz mínima ideia do que está a acontecer. E, pior que isso, trata-se de gente que não perde uma oportunidade para atacar Putin, por este, segundo eles próprios, ter decidido “abandonar” Kherson (sendo que antes disso fez questão de retirar os civis da cidade, pormenores…), mas que nada têm a dizer sobre o facto de Zelensky e os que o antecederam terem atacado a população do seu próprio país durante oito anos a fio.

Como referi acima, não se tratou de uma decisão política de abandonar um território que é considerado seu (da Federação Russa), tratou-se sim, de uma decisão militar que tem como objectivo reforçar a posição de comando e defesa da região, das suas populações e dos (seus) militares envolvidos. Além disso, o exército russo recuou para uma melhor posição geográfica. Não nos esqueçamos que o frio e a chuva vão chegar em força, muito brevemente, e isso dificultará muitíssimo as condições no terreno, particularmente daqueles que se encontram num pior posicionamento. Ademais, os russos vão reforçar os seus efectivos nas próximas semanas. E não se trata de um reforço qualquer, já que estamos a falar de centenas de milhares de homens que se vão juntar às frentes de combate.

Por que razão haveriam os russos de se submeter, agora, a uma mortandade, quer dos “seus” civis em Kherson, quer dos seus militares? Isso sim, seria uma estupidez e um tremendo erro estratégico. Um exército sem militares não está em condições de manter nada. Zelensky está constantemente a esquecer-se desse importante factor e continua a enviar para a morte milhares e milhares de combatentes.

O lado ucraniano está a ficar sem homens para combater e até sem armamento. Quando o terreno ficar enlameado pela chuva e pelas temperaturas negativas (já nas próximas semanas), o exército russo vai simplesmente aniquilar o exército ucraniano que, pelas condições que descrevi, será carne para canhão.

Entretanto, o pau-mandado Zelensky voltou a falar em negociações de paz. Notem que está a fazê-lo numa altura em que ele e o “ocidente” que o apoia dizem que a Rússia está a perder em toda a linha. Portanto, numa altura em que dizem estar claramente por cima é que voltam a demonstrar disponibilidade para negociar a paz. É claro que nada disto faz sentido, porque a realidade é exactamente o contrário daquilo que é propagandeado pelos líderes ocidentais e sua comunicação social. Não obstante, a Zelensky só resta duas alternativas: tentar negociar já, ou continuar a ser manipulado por Washington e capitular um pouco mais à frente, com muitíssimos mais custos para a Ucrânia. E para os povos ocidentais (sobretudo os europeus), que são liderados por um bando de corruptos vendidos ao poder instalado em Washington.

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