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RAPIDINHA

VIVA A DEMOCRACIA!

A solidariedade dos "donos" do Ocidente

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A dívida externa da Ucrânia ultrapassa os 100 mil milhões de dólares. Como bem sabemos, a esmagadora maioria da dívida externa dos países é para com algumas instituições financeiras internacionais, bancos e fundos de investimento, sendo que uma boa parte da dívida é para com o FMI, o Banco Mundial e o Banco Europeu de Investimento. No caso da Ucrânia, só para que se tenha a noção do que está a acontecer, no decorrer da primeira semana da invasão, ou seja enquanto o país estava debaixo de bombardeamentos, o governo ucraniano foi obrigado a realizar mais um pagamento de juros aos seus credores, que permanecem firmes nas suas intenções de cobrar as suas dívidas, sem que houvesse lugar a qualquer tipo de ajuda, cancelamento ou alargamento do período de cobrança, muito menos a qualquer tipo de perdão de dívida.

Em cima desta hipocrisia dos gigantes da finança privada, vemos – todos os dias – os mais altos governantes ocidentais a falar em ajuda à Ucrânia. É preciso muita lata. Se os governos ocidentais estivessem mesmo interessados em ajudar o povo ucraniano, que se encontra debaixo de uma guerra, eles estariam a pressionar as referidas instituições financeiras para que a dívida ucraniana fosse cancelada.

Portanto, no momento em que o povo ucraniano luta pela sua sobrevivência e enquanto enfrenta enormes necessidades humanitárias, o mundo ocidental – que se desfaz em demonstrar consternação e solidariedade – assiste impávido e sereno à extorsão de importantes recursos que a Ucrânia necessita mais do que nunca, levada a cabo pelos credores estrangeiros. Consta que estas instituições estão a obter lucros de 300% com os empréstimos feitos à Ucrânia. Tudo isto em tempo de emergência humanitária, imagine-se.

Imaginemos também qual será a situação do sistema de saúde ucraniano, do sistema de educação, de toda a estrutura de serviços públicos, bem como a reconstrução de todo o tipo de infra-estruturas que será necessário efectuar – esperemos que a breve trecho. Será que é exigir muito que se proceda urgentemente ao cancelamento da dívida?

Parece que sim. Parece que nem sequer é permitido falar no assunto, já que nenhum líder ocidental sequer se atreveu a tomar tal atitude, quando TODOS deveriam estar a pressionar o FMI e o Banco Mundial para demonstrarem um pinguinho de solidariedade para com o povo ucraniano. Mas não, aliás, muito pelo contrário. Enquanto o conflito decorre e a crise humanitária se acentua, as instituições credoras continuam a sugar enormíssimas quantidades de dinheiro em juros da dívida e, para piorar a situação, ainda estão a realizar novos empréstimos à Ucrânia, com as habituais simpáticas taxas de juro.

A isto chama-se lucrar com a guerra. E é esta a solidariedade de quem manda no Ocidente.