Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

RAPIDINHA

Um vintém é um vintém, um cretino é um cretino.

A verdade sobre a retaliação iraniana

míssil_inteligente.jpg

O extraordinário comprometimento da comunicação social com a mentira e com a propagação das narrativas encomendadas por Washington é de tal forma flagrante, que já não resta qualquer esperança em poder ver, ouvir ou ler a verdade nas notícias.

Sobre a recente acção de retaliação que o Irão realizou sobre Israel, a comunicação social relata o acontecimento como um ataque levado a cabo pelo tirano “regime” iraniano, que só está interessado em escalar a violência no Médio Oriente. E ainda usam esse acontecimento como uma legítima desculpa para que Israel possa “retaliar” contra o Irão.

Primeiro importa esclarecer que quem retaliou foi o Irão. Retaliar significa reagir ou responder. E foi isso que o Irão fez, ou seja, reagiu ao vil ataque israelita (a 1 de Abril) ao consulado iraniano em Damasco, na Síria, que vitimou várias pessoas, entras as quais, um general iraniano. Portanto, o ataque iraniano a Israel foi, nada mais, nada menos do que uma represália contra os ataques de que tem sido alvo. Recordemos que o Irão é atacado por Israel pelo menos há uma década, sendo que o recente ataque contra o seu consulado na Síria foi a gota de água que despoletou uma reacção mais visível e directa.

Agora, a comunicação social fala numa eventual “retaliação” por parte de Israel. Não, não se trata de retaliação. Quando Israel voltar a atacar o Irão, só estará a escalar deliberadamente a tensão no Médio Oriente, com o único objectivo de arrastar o mundo para esse conflito e transformá-lo na Terceira Guerra Mundial.

Já em relação ao ataque do Irão propriamente dito, a comunicação social descreve-o como um ataque massivo, mas que não teve nenhuma repercussão em Israel, porque o sistema de defesa militar mais eficaz do mundo – o Iron Dome – destruiu praticamente todos os mísseis e drones enviados a partir do Irão. Descrevem a retaliação do Irão como um total falhanço e, simultaneamente, como uma manobra militar de enorme sucesso para Israel e seus compinchas norte-americanos. Até se fartaram de passar imagens do “Presidemente” em Washington a balbuciar a sua paixão “nazionista”.

A verdade - uma vez mais - é precisamente o contrário daquilo que a comunicação social propaga.

Basta tomar em atenção alguns aspectos e logo se percebe que o ataque iraniano foi muitíssimo bem-sucedido. Desde logo, podemos começar por medir o impacto financeiro que esse ataque teve em ambos os lados. O Irão despendeu algumas dezenas de milhões de dólares, ao passo que do outro lado, foram gastas largas centenas de milhões de dólares, senão mesmo na casa dos milhares de milhões. Sim, o sistema Iron Dome é, de facto, um dos mais eficazes sistemas de defesa militar, no entanto, a sua utilização representa um custo exorbitante e até mesmo incomportável, se tiver de ser utilizado por um longo período de tempo.

Mas, mais importante do que quantificar a parte financeira do ataque é avaliar a sua componente bélica. Então, importa salientar que a maioria do equipamento usado pelo Irão não foi o de primeira linha. Ou seja, no lote das centenas de projécteis lançados a partir do solo iraniano constava essencialmente equipamento de segunda ou terceira linha. Contudo, uma pequena parte correspondeu a mísseis da mais avançada tecnologia. E esses não foram interceptados pelo competente mas não infalível sistema Iron Dome. Alguns mísseis atingiram o seu alvo, como é o caso de bases militares israelitas.

O ataque iraniano a Israel serviu também para agudizar ainda mais a contestação interna a Netanyahu.

Resumindo, com este ataque, o Irão demonstrou que tem capacidade para atingir solo israelita, sem que o “magnífico” sistema de defesa Iron Dome (mais a intervenção das tropas “aliadas” dos “nazionistas”) o possa impedir. E, como referi atrás, o Irão provocou um enorme rombo no orçamento israelita. Claro que as indústrias de armamento israelita e norte-americana não se importaram nada com isso. Novas notas de encomenda – enviadas pelos governos corruptos dos “aliados” - já estão a caminho.

Importa ainda salientar um pormenor relacionado com a acção de retaliação levada a cabo pelo Irão. O facto de que este ataque foi realizado com aviso prévio, não causou uma única vítima mortal e limitou-se a atingir alvos militares. Veja-se bem a diferença entre a actuação do Irão e a habitual actuação israelita/norte-americana, sobretudo em Gaza.

Seria bom que os falcões fomentadores da guerra do oeste se mentalizassem que - caso o Irão pretenda - um eventual novo ataque a Israel pode atingir proporções catastróficas. O aviso já foi dado, mas os cowboys do faroeste parece ainda não terem percebido.

O desesperado, narcisista e “nazionista” Netanyahu vai continuar a escalar o conflito com o Irão, porque é a sua única forma de se manter no poder. Israel está a perder a guerra em Gaza. Parece algo difícil de acreditar, se considerarmos que os “nazionistas” de Netanyahu estão – há mais de seis meses - a cometer um genocídio contra a população palestiniana, mas, por outro lado, a realidade demonstra que Netanyahu não conseguiu eliminar o Hamas, não conseguiu libertar os reféns e não conseguiu aumentar a segurança em Israel, muito pelo contrário. Contas feitas, a única coisa que Israel tem feito é destruir Gaza e submeter o povo palestiniano às maiores atrocidades e desumanidades. E fá-lo com prazer, à boa maneira “nazionista” e com o alto patrocínio do “ocidente livre e democrático”.

É a mesma receita de sempre – a receita imperialista de Washington. É o cumprir do mesmo ritual de provocação, incitamento à violência e ao ódio, que está sempre na génese de todos os conflitos. E, apesar de todas as evidências de insucesso, a estratégia destes criminosos será também a mesma de sempre: a da fuga para a frente.

Até quando o povo ocidental vai permanecer mudo e quedo perante toda esta sórdida actuação da minoria que se mantém empoleirada no poder, há... demasiado tempo?