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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Abstenções ruidosas

Há abstenções que são mesmo muito ruidosas. A abstenção não é novidade para os portugueses, desde o eleitor comum que, não raras vezes, abdica do seu direito de voto até aos mais elevados políticos que, também muitas vezes exercem esse “direito” de se abster de votar determinadas matérias.

 

Abster é isso mesmo, é recusar exercer o direito de voto. É não querer votar a favor nem contra. É alhear-se da responsabilidade de que um indivíduo está incumbido. No que respeita aos eleitores que se abstêm, não tenho muito a dizer, apenas que não têm o direito de reclamar das políticas implementadas pelos cidadãos eleitos em sua representação, sobre os quais eles próprios se recusaram escolher. Já ao nível da Assembleia da República, considero uma tremenda irresponsabilidade que um deputado se esconda na abstenção de votar determinadas matérias. A Assembleia da República é a Casa da Democracia, por excelência, é o maior órgão legislativo e o que tem maior competência política.

 

Custa-me constatar, infelizmente com bastante frequência, que muitos deputados se abstêm de votar um vasto rol de matérias importantes, sendo que na maioria dos casos o fazem em rebanho, isto é, por bancada partidária.

 

Esta quarta-feira, a subcomissão de Ética votou um documento que defende que não há incompatibilidade entres as funções parlamentares de Maria Luís Albuquerque e o cargo de directora não executiva na empresa Arrow Global. Devemos ainda relembrar que tudo isto acontece poucos meses depois da ex-ministra ter deixado a pasta das Finanças. Portanto, o parecer dos deputados é que não há incompatibilidade, pelo menos para uma parte dos deputados chamados a pronunciar-se sobre o assunto. O parecer da subcomissão teve os votos favoráveis do PPD/PSD e do CDS, os votos contra do BE e do PCP e o PS, bem, o PS absteve-se. O PS não acha certo nem errado. Para o PS a ética goza de neutralidade e a promiscuidade não carece de condenação ou aprovação. Em política, esta atitude de ficar mudo e quedo no seu canto revela, quase sempre, um ruído ensurdecedor ou, como diz o povão, que o rabo está por aí trilhado em alguma esquina.

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