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Adolfo Mesquita Nunes, definitivamente não é mulher de César

Adolfo Mesquita Nunes, ex-vice-presidente do CDS, aceitou o convite de Paula Amorim para ser administrador não-executivo da Galp. Aquele que é descrito por muitos (vá se lá saber porquê) como uma das mentes mais brilhantes da política portuguesa, não resistiu aos encantos da alta-roda do meio empresarial e, num repente, passou pela famosa porta giratória e lá foi todo contentito dar uma volta no carrossel.

 

Em sua defesa, Mesquita Nunes sustenta que aceitar o convite da Galp é “uma escolha a que tem direito” e que para demonstrar que não existe promiscuidade entre o poder político e os negócios, decidiu abandonar a direcção do CDS.

 

Que bonito! Como se assim já não houvesse qualquer promiscuidade. Como se Mesquita Nunes deixasse de fazer parte do partido e, acima de tudo, continuar a ser uma das figuras de proa. Note-se que a própria Assunção Cristas, líder do partido, pondera não ocupar o lugar deixado vago por Adolfo porque, na verdade, não é necessário. Porque, na realidade, Mesquita Nunes vai continuar a desempenhar, na prática, as mesmas funções que desempenhou até agora, dentro do partido.

 

Vejam bem. Mesquita Nunes manterá o cargo de Coordenador do Programa Eleitoral do CDS. Só a título de exemplo, qual serão as ideias programáticas que o CDS vai apresentar em matéria de Energia e Ambiente? E de que forma é que isto não choca de frente e com muito estrondo com a promiscuidade entre poder político e a defesa dos interesses privados?

 

Contudo, há aqui um pequeníssimo pormenor que me está a intrigar. Ora vejamos, o CDS não tem a mínima hipótese de ser partido de Governo nos próximos quatro anos, a menos que o próximo Governo não dure quatro anos. Portanto, estará a Galp da senhora Paula Amorim a fazer uma aposta de médio-longo prazo, ou será que esta contratação já é, por si só, um “pagamento em atraso”? Pode ser, não me surpreenderia nada...

 

Bom, sendo Adolfo Mesquita Nunes alguém sem qualquer tipo de experiência no sector energético, só se vislumbra que venha a desempenhar funções políticas na Galp.

 

Pois é. À mulher de César não basta ser séria, deve também parecer séria. Adolfo Mesquita Nunes, definitivamente não é mulher de César.

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