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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Afinal Cavaco ainda não tinha feito tudo, tudo, tudo...

Cavaco Silva vetou a lei aprovada por larga maioria parlamentar, referente à adopção por parte de casais do mesmo sexo, bem como a lei que revogava as alterações à lei da interrupção voluntária da gravidez (IVG).

 

Comecemos por admitir que se trata de temas fracturantes da sociedade portuguesa, mas não são os únicos, muitos outros assuntos dividem o país e não se pode estar sempre a referendar um determinado assunto quando este suscita dúvidas. É à Assembleia da República que compete legislar, é para isso que os deputados servem, quer se goste quer não.

 

Mas foquemo-nos na decisão do veto presidencial. Por que razão Cavaco decide vetar duas leis que obtiveram largo consenso na Assembleia da República, sendo que o veto presidencial nada mudará. Apenas impedirá que a lei entre em vigor imediatamente. Ou seja, a decisão sobre estes dois temas voltará à Assembleia da República e voltará a ser oficializada, desta feita, sem que o Presidente da República possa fazer o que quer que seja para impedir que entre em vigor. Então, por que razão decidiu Cavaco vetar? Ele, que já em 2007 havia promulgado o diploma que despenalizava a interrupção voluntária da gravidez, mesmo tendo demonstrado muitas reservas em relação ao assunto. Mais, também em 2010 promulgou a lei que aprovava o casamento entre pessoas do mesmo sexo, justificando-se que “não via efeitos práticos em vetar a lei” já que “as forças políticas que aprovaram o diploma na Assembleia da República voltariam a votar da mesma forma”, mesmo não concordando com o seu teor. Então, por que carga de água vetou agora? Só há uma justificação, por pura mesquinhez. Cavaco Silva é o cúmulo da imbecilidade política, mesmo estando de saída (e pela porta pequena), não perde estas últimas oportunidades para vincar uma vez mais a sua essência. Veta por vingança política, veta porque nunca teve nenhum respeito pelo que os outros pensam e veta porque nunca deixou de ser um bacoco retrógrado na cadeira do poder. Cavaco confunde a sua opinião pessoal com o exercício das funções presidenciais.

 

Cavaco Silva nem por ele próprio tem respeito, já que ao proceder desta forma, apenas demonstra a pouca ou nenhuma dignidade que tem no desempenho das suas funções. E, brevemente, será obrigado a promulgar o que agora vetou.

 

Outra questão muito importante é o “timing” do anúncio do veto presidencial. Por que razão só comunicou a sua decisão hoje, dia imediatamente seguinte às eleições presidenciais? Será que se o tivesse feito antes traria desconforto e perda de votos para algum candidato?

 

Por último, resta-me referir que ainda ontem Cavaco dizia que tinha feito tudo, tudo, tudo… mas ainda faltava este pequeno grão de areia na engrenagem, este pequeno resquício de lodo. Será assim que Cavaco será recordado, um pequeno resquício de matéria lodosa.

 

P.S. Cavaco ainda terá a oportunidade de enviar o Orçamento de Estado para fiscalização preventiva, mas também isso será irrelevante. A ver vamos…

 

 

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