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RAPIDINHA

De certeza que são luas? Não serão balões "espiões" da China?

Ainda o corpo estava quente e já começava a campanha

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A comunicação social especializou-se na arte de criar “momentos zero” na cabeça das pessoas. Os “momentos zero” da comunicação social são aqueles a partir dos quais o passado deixa de existir e a memória colectiva é completamente apagada e reconfigurada para uma nova realidade.

Os últimos anos foram muito profícuos na implementação de “momentos zero”. Foi assim durante a pandemia, foi também na guerra da Ucrânia, mais recentemente, no conflito na Palestina e, agora mesmo, na crise política instalada em Portugal.

Ontem, escassos minutos após a apresentação da demissão do Primeiro-ministro, António Costa, ao Presidente da República, os habituais especialistas na criação de “momentos zero” já estavam em cena, a desempenhar a única tarefa para a qual são pagos.

Portanto, no exacto momento da apresentação da demissão por parte de António Costa, os “fazedores de opinião pública” já estavam a apresentar a solução para o futuro: aquela que todos devem interiorizar e seguir obedientemente. Tal como fizeram na pandemia, na guerra na Ucrânia e na guerra na Palestina.

O Presidente da República ainda nem sequer se pronunciou acerca da sua decisão sobre a crise política instalada no país, mas os jornalistas/comentadores do canal de televisão mais visto no país já deram início à campanha eleitoral. Na verdade, eles fizeram muito mais do que isso. Eles já “decidiram” quem será o próximo Primeiro-ministro, tendo começado a implementar uma narrativa que já faz de Luís Montenegro o próximo Primeiro-ministro.

Vejamos, a narrativa actual é a de que o governo do Partido Socialista é um grupo de malandros que está no poder apenas para servir os interesses instalados, para realizar negociatas a favor dos mais poderosos e a troco de favores pessoais, entre outras maroscas. Esta narrativa não estará muito longe da verdade, já que os últimos quase 50 anos de “democracia” nos mostraram ao que vão os políticos, quando vão para o governo.

Mas aquilo que os “fazedores de opinião” querem implementar, uma vez mais, é um novo “momento zero”. O momento a partir do qual o PSD volta a ser a única alternativa à sucessão no poder, agora que a outra metade do “bloco central” ruiu de podre. Tal como afirmou um anterior líder do PSD, agora é a sua vez de “ir ao pote”.

Cerca de 50 anos de “democracia” mostraram-nos que, ora com o PS, ora com o PSD no poder, a realidade é sempre a mesma. As negociatas, a defesa do superior interesse de meia dúzia de privilegiados, a corrupção, os favores, o nepotismo, a deterioração dos serviços públicos e a completa alienação sobre os verdadeiros problemas do país e das pessoas é uma constante nos sucessivos governos, sejam eles do PS ou do PSD (com ou sem o CDS).

Mas os habituais merdosos da comunicação social querem criar (e já) um novo “momento zero”. Um momento no qual o PSD surge como uma opção imaculada e como a única alternativa à sucessão. O passado de governação do PSD, repleto de casos tão ou mais graves do que aqueles que assolam agora a governação do PS, simplesmente deixou de existir. Já foi apagado. E, segundo estes merdosos, este é um momento muito especial, porque é aquele em que Luís Montenegro e o seu PSD podem mostrar ao país que “são diferentes”, que “têm soluções para o país e para as pessoas” e que “não vão permitir que o governo seja instrumentalizado na prossecução dos interesses de uma minoria de privilegiados que o controla e corrompe”.

É preciso ter uma latosa do tamanho do mundo, para querer apagar da memória das pessoas, aquilo que o PSD tão bem sabe fazer. Eu diria mesmo, a única coisa que o PSD sabe fazer.

Aquilo a que estamos a assistir é à habitual campanha que a comunicação social faz para eternizar o “bloco central” no poder em Portugal. Se o PS cai de podre, venha o PSD. E vice-versa. Foi sempre assim. E a comunicação social fá-lo muito afincadamente, porque a sua existência (os seus tachos, os seus lucros, as suas rendosas conezias) também depende de um “bolco central” em eterna alternância.

A verdade é que PS, PSD e comunicação social – devidamente mancomunados – querem cristalizar na mente das pessoas que só existem duas opções de governação no país. Duas opções que, em boa verdade, são uma e uma só. E chama-se “bloco central”. É definitivamente um “bloco”, porque não quebra este ciclo de “ora governas tu, ora governo eu”. E é indiscutivelmente uma “central”. Uma central de negócios putrefactos, que visa perpetuar o status quo da minoria que controla e corrompe as instituições deste país, que arruína os serviços públicos e que destrói a vida das pessoas.

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