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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Alguém leu a entrevista de Ulrich ao Expresso?

Impressionante! Ao que parece, foram necessários dois jornalistas para entrevistar o presidente-executivo do banco BPI, vulgo testa-de-ferro da senhora dos Santos, acerca da venda do Novo Banco. Oito perguntas, oito ulrelinchos. O homem não sabe de nada, não tem informação suficiente e não se pode pronunciar sobre determinadas matérias.

 

Por que razão foi feita e publicada a entrevista? Se calhar, deveriam ter entrevistado a senhora dos Santos...

 

Para mim, serviu para demonstrar, uma vez mais, que tipo de banqueiro é Fernando Ulrich. Como se devem lembrar, o BPI foi um dos bancos que mostrou interesse e apresentou proposta para a compra do Novo Banco, que não foi considerada pelo Banco de Portugal.

 

Agora repare-se numa coisa. Segundo afirmações dos governantes, se o Novo Banco for vendido abaixo do valor do Fundo de Resolução, os contribuintes não serão chamados a pagar o diferencial, já que esse valor será assumido pelos vários bancos, entre os quais o BPI. Mas o BPI apresentou uma proposta de compra abaixo desse valor (os tão falados 4,9 mil milhões de euros). Aliás, parece que nenhum dos interessados quer pagar acima desse valor. Há um ano, Ulrich achava que o Novo Banco não valia 4,9 mil milhões de euros e previa que o valor do banco continuasse em queda, à medida que o tempo fosse passando, portanto, hoje vale muito menos. Ulrich e o "seu" (pouco seu) BPI, por um lado, gostariam de adquirir o Novo Banco por pouco dinheiro, e mesmo que fossem chamados a responder por perdas no Fundo de Resolução não haveria problema, já que a chicha boa ficaria nas suas mãos e isso renderia muitíssimo mais. Isto se alguma vez os bancos forem chamados a responder por eventuais perdas no Fundo de Resolução que, como todos sabemos, será sempre suportado pelo Zé Povinho. Também há um ano atrás, Ulrich dizia que "o dinheiro que os bancos puseram no Fundo de Resolução era apenas um pormenor". Claro que é um pormenor, todos sabemos que o "pormaior" foi metido pelo povo português. Por outro lado, não sendo considerado como compradores do Novo Banco, o BPI está-se nas tintas para o valor da venda, desde que isso não traga prejuízo ao "seu" banco, algo que ele está farto de saber que nunca vai acontecer, porque os prejuízos destas negociatas têm sempre o mesmo desfecho: Paga Zé!

 

Mas há um facto ainda mais curioso. O grupo americano Apollo, que havia apresentado a segunda melhor oferta de compra foi "aparentemente" arrumado para canto, passando o centro das negociações para os outros chineses da Fosun. Mas... se calhar, isto ainda vai dar outra volta e a negociata vai-se mesmo concretizar com a Apollo que parece ter excelentes relações com a senhora dos Santos e, só assim, poderemos compreender que o senhor Ulrich não saiba de nada, não tenha informação suficiente e não queira comentar.

 

Este Ulrich, desde a queda de Salgado, tem a mania que é o galo que manda no galinheiro da banca, mas nós bem sabemos que quem está no poleiro é a gazela negra e é ela quem canta de galo.