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Alguém que ofereça um GPS a Rui Rio

Rui Rio anda completamente perdido, pelo menos desde a Sexta-feira passada. O líder do PSD chegou mesmo a estar dois dias incontactável, até que voltou a aparecer, mas os sinais de desorientação agravaram-se.

No final da passada semana, Rui Rio soltava vibrantes hossanas pela grande vitória que o seu partido havia conseguido, com a aprovação da reposição dos 9 anos, 4 meses e 2 dias. Ou seja, a recuperação integral de todo o tempo de serviço dos professores que esteve congelado.

Rui Rio estava eufórico com a aprovação do diploma na especialidade. Diploma que o próprio desconhecia, mas que era mesmo aquilo que ele defendia desde sempre, disse ele. Rio desconhecia o diploma porque simplesmente não havia diploma. É caso para perguntar se Rui Rio não sabe aquilo que os deputados do seu partido andam a aprovar na Assembleia da República. Pois, se calhar não sabe mesmo.

Aquilo que Rui Rio sabia e bem, era que as condicionantes que o seu partido e ele próprio defendiam até então, isto é, fazer depender o calendário da reposição do tempo de questões como o crescimento da economia e a dívida pública, deixaram de fazer parte da proposta que acabaram por aprovar, com especial regozijo.

Rio, que agora aponta críticas aos jornalistas parlamentares por entender que deturparam aquilo que foi aprovado e, segundo palavras do próprio, por “não entenderem o processo legislativo”, é que realmente não percebe nada do que se passou. O líder do principal partido da oposição parece não fazer a mínima ideia do que significa aprovar um diploma na especialidade, ainda que a votação final seja efectivada posteriormente.

A frase mais hilariante do líder do PSD é a seguinte:

“Nós reconhecemos os nove anos aos professores, mas tem de haver uma lei travão”.

Traduzindo, Rui Rio pretende dar a entender que está realmente preocupado com a devolução do tempo aos professores, quando na verdade ele só deseja fazer aprovar uma lei que não devolve nada, apenas promete. Se Rio estivesse realmente interessado em atender às pretensões dos professores, não teria dúvidas em aprovar as propostas dos partidos da Esquerda (PCP e BE).

No fundo, aquilo que Rui Rio está a propor é bem pior (para os professores) do que aquilo que o Governo pretende, isto é, repor 2 anos, 9 meses e 18 dias no imediato e deixar o restante para quando for possível, se for possível. No caso do PSD, a lei deve contemplar apenas esta última parte, a do "só se for possível" e, como toda a gente já percebeu, com um governo de Direita nunca será possível.

Rui Rio só falou verdade quando disse que a proposta do PSD não tem qualquer impacto orçamental. É claro que não. As medidas só têm impacto quando são implementadas.

“Sejamos sérios”.

 

P.S. o GPS no título pode também significar "Guia Para a Seriedade".

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