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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Alguém se indigna com isto?

O Tribunal da Relação do Porto confirmou a decisão do Tribunal de Penafiel, que havia decidido ilibar quatro médicos do Centro Hospitalar de Tâmega e Sousa que não foram capazes de diagnosticar um tumor cerebral de cerca de dois quilos à cidadã Sara Daniela Moreira.

Sara faleceu em 2013, com apenas 19 anos, depois de se ter deslocado ao Serviço de Urgências do referido centro hospitalar por 11 vezes. Sara queixou-se, todas estas vezes, de fortes dores de cabeça, tonturas e desmaios. Os médicos diagnosticaram “crise de ansiedade” e mandaram-na para casa, repito, 11 vezes. A Sara morreu por pura incompetência e negligência grosseira.

Os tribunais entenderam que houve apenas dolo por omissão e que isso não constitui um crime. Os tribunais entenderam que o facto de os médicos não terem pedido exames complementares de diagnóstico não constitui intenção dolosa. Portanto, para os juízes envolvidos, desde que não haja intenção de causar dolo não há razão para condenar e, por conseguinte, os médicos podem seguir com as suas vidinhas como se nada tivesse acontecido.

Eu fico indignado com este tipo de justiça. Fico ainda mais indignado que um assunto desta natureza quase passe despercebido na sociedade portuguesa, que tanto gosta de se indignar. As redes sociais não viram motivo para derramar sangue, os políticos não “tweetaram” e a comunicação social quase não noticiou o acontecimento, salvo a SIC e o Expresso.

Os políticos, nomeadamente os que têm responsabilidade governativa até podem escudar-se na separação de poderes, para não comentar a sentença em causa, contudo, nem sempre assim acontece. Muitas vezes a separação de poderes foi posta de lado para o exercício de pressão política mas, neste caso, parece não valer a pena. Foi só uma desconhecida que morreu.

Enquanto houver classes intocáveis, a saber, políticos, juízes e médicos, este país nunca será verdadeiramente digno.