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António Costa vai dar com os burros na água

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Ao fim de seis anos de governação, António Costa está a viver o seu momento “Passos Coelho”, ou seja, aquilo que ele julga ser o momento ideal para “ir ao pote” – entenda-se, abraçar o poder com uma maioria absoluta.

Como todos se recordarão, em 2015 – quando Passos Coelho julgava que iria continuar a mandar no pote – o Partido Socialista acabou por formar governo, com o apoio de PCP, Verdes e Bloco de Esquerda. Na altura houve um acordo escrito entre o governo do PS e os restantes partidos, que permitiu garantir estabilidade governativa para toda a legislatura. Recordemos também que o período de governação 2015-2019 foi dos que mais agradou à maioria dos portugueses, sendo que o resultado das eleições legislativas de 2019 acabaram por corroborar isso mesmo, apesar de não se compreender a fuga de uma parte significativa do eleitorado dos partidos mais à Esquerda, quando foram eles que mais contribuíram para que o referido período de governação tivesse sido do agrado da maioria dos portugueses. É o habitual comportamento errático de uma significativa parte do eleitorado nacional.

Ao contrário do que acontecera em 2015, nas legislativas de 2019 o PS venceu as eleições, mas sem maioria, contudo, António Costa tratou logo de pôr as manguinhas de fora e recusar quaisquer acordos escritos com os antigos parceiros à Esquerda – ainda que o acordo escrito não fosse fundamental, o facto de António Costa se recusar a fazê-lo foi um claro sinal daquilo que viria a ser a postura do seu governo. Portanto, Costa nunca teve maioria, mas sempre agiu como se os portugueses lha tivessem dado. Costa não quis comprometer-se com acordos escritos para a legislatura (2019-2023), porque já estava a traçar o caminho para chegar até ao momento em que nos encontramos. Na discussão do OE2020 a coisa ainda correu mais ou menos, mas já com muito descontentamento evidenciado quer pelo PCP quer pelo BE. Já no ano passado, as coisas correram ainda pior e o OE só foi aprovado porque o PCP decidiu deixar passar. Recordemos que o país estava a atravessar um período difícil da pandemia – que ainda não terminou - e, uma vez mais, coube ao Partido Comunista assumir as despesas políticas que garantissem estabilidade à governação, ainda que o OE estivesse longe de satisfazer os seus intentos.

Resumindo, António Costa e o seu PS andam há dois anos a governar como se tivessem maioria absoluta. O PS de António Costa diz, reiteradamente, que não faz acordos com a Direita, apesar de a realidade demonstrar que PS e PSD votaram a maioria dos diplomas em concordância – o habitual bloco central que domina a governação há quase 50 anos. E, mesmo dizendo que só negoceiam com os partidos de Esquerda, a verdade é que o PS, nestes últimos dois anos, só quis saber de PCP e BE para que estes anuíssem na altura de votar os Orçamentos do Estado.

Ou seja, desde de 2019 que o PS de António Costa deixou de mostrar abertura à negociação com o PCP e BE, não por considerar que o país não tem condições para suportar as exigências destes dois partidos – longe disso – mas apenas porque António Costa sentiu que este é o momento de “ir ao pote”, à maioria absoluta. Apenas isso.

António Costa viu a crise que se abateu sobre o PSD e não mais conseguiu em pensar em mais nada que não fosse a possibilidade de “ir ao pote”. E já. Que se lixe o Orçamento do Estado, isso pode esperar, até porque Costa está mesmo convencido de que o PS vai chegar à maioria absoluta.

António Costa vai dar com os burros na água.

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