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As Histórias das Idas da Comunicação Social à Guerra

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Todos os dias, a comunicação social ocidental passa hilariantes rábulas sobre a guerra na Ucrânia. São histórias que quase rivalizam com esse marco histórico da comédia nacional, que foi “A História da Minha Ida à Guerra de 1908” de Raul Solnado. A estação de televisão SIC – líder de audiências – tem até um programa diário de comédia inserido no Jornal da Noite. Os protagonistas são José Milhazes e Nuno Rogeiro. Inicialmente pensei que se tratava de dois foragidos de algum hospital psiquiátrico, mas não, aquilo é mesmo assim – um brilhante espaço de comédia sobre a guerra, em pleno bloco noticiário. O Ricardo Araújo Pereira que se cuide, porque estes dois estão a assumir a dianteira do métier, e até já têm presença diária.

Vejamos algumas das afirmações que a comunicação social ocidental tem feito sobre o conflito na Ucrânia.

Diz-se por aí à boca cheia que “já morreram 30 mil soldados russos”, que "foram destruídos mais de quatro mil tanques de guerra russos”, que “o exército russo está a recorrer ao uso de carros de combate extremamente antigos, porque não tem mais nada, porque o seu equipamento é obsoleto”, que “o exército russo está a ser escorraçado de quase todas as cidades ucranianas”, que “a Rússia não atingiu nenhum objectivo”, que “não tem qualquer hipótese de vencer a guerra”, aliás, esta gente começou a dizer que “Putin já tinha perdido a guerra apenas dois dias depois de ela começar”. E, a cereja no topo do bolo, que “a Ucrânia vai vencer esta guerra”.

Portanto, mais anedótica a comunicação social ocidental não poderia ser.

Vejamos, 20% a 25% da Ucrânia já está sob controlo russo, algo que é verdadeiramente impressionante, pois foi conseguido em apenas 90 dias. Se tivermos em conta a dimensão da Ucrânia e o facto de a Rússia estar também a combater contra as armas da OTAN, os avanços russos têm sido bastante rápidos e nada lentos e parcos como diz a comunicação social.

A Rússia controla quase a totalidade da região de Donbass e está a caminho de assumir o controlo do sul da Ucrânia, que irá culminar – muito provavelmente – com a conquista da cidade de Odessa. Parecem ser esses os planos da Rússia, segundo aquilo que foi anunciado pelas autoridades russas e segundo aquilo que têm sido as movimentações estratégicas no terreno.

Em suma, aquilo que a comunicação social ocidental vem dizendo não passa de mentiras. Mas mentiras tão idiotas que se tornam cómicas. Como toda a gente se deve lembrar, Putin anunciou – no início da invasão – que os três principais objectivos da Rússia eram:

- Impedir a adesão da Ucrânia à OTAN;

- Desmilitarizar a Ucrânia;

- Desnazificar a Ucrânia.

Foram estes os objectivos apresentados por Putin, apesar de a comunicação social e o poder político ocidentais terem inventado outros. Já durante o conflito, Putin anunciou – aquando da retirada das tropas dos arredores de Kiev – que a missão do exército russo se iria concentrar no Donbass e sul da Ucrânia. E é o que está a acontecer neste momento, a uma velocidade bem acelerada, ao contrário do que é regurgitado pela comunicação social.

Neste momento, ninguém com dois dedos de testa pode sequer considerar que a Ucrânia vai aderir à OTAN, seja agora, daqui a 10 anos ou 100 anos. Portanto, o primeiro objectivo foi atingido e está fechado a sete chaves. No que respeita à desmilitarização da Ucrânia, a Rússia já destruiu a maioria das bases militares, depósitos de armas e até laboratórios. O exército ucraniano está fragmentado e quase nem se pode falar na existência de um verdadeiro exército. Consta até que o comandante do exército ucraniano está constantemente em choque como o Presidente da Ucrânia, no que respeita à estratégia de resistência. Aquilo que existe na Ucrânia são um conjunto de grupos e milícias desorganizadas que ainda vão apresentando alguma resistência. Algo que entronca com o terceiro objectivo – o de desnazificar a Ucrânia. Com a derrota e rendição do Batalhão de Azov em Mariupol, parte do terceiro objectivo está também alcançado. Claro que os nazis não foram todos capturados, mas a queda do Batalhão de Azov é um marco importante no cumprimento deste terceiro objectivo.

Portanto, todos os objectivos anunciados pela Rússia – e não aqueles que o Ocidente diz que a Rússia tinha – foram atingidos ou estão em vias de o ser. E que ninguém tenha a mínima dúvida de que serão mesmo atingidos. E podem ter a certeza que, quer a Crimeia – que já foi integrada no território da Rússia -, quer o Donbass e boa parte do sul da Ucrânia vão ser tomados à Ucrânia, para nunca mais voltar ao controlo ucraniano.

E o que está aqui em causa – no que escrevi – não é defender uma posição ou outra. Isso fica para os senhores da comunicação social. O que aqui fiz foi constatar aquilo que são os factos, que não são mostrados nos principais órgãos de comunicação social. A esses reservam-se os factóides e as bestarias.

Voltando àqueles dois da SIC – acho que podemos dizer aqueles dois caralhos, já que foi o próprio Milhazes que introduziu… a palavra, no léxico da guerra -, a coisa é tão patética que o Milhazes até disse que “os russos roubaram mortadela aos ucranianos para enviar para a Rússia”. Verdadeiramente hilariante.

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