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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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As palavras que Marcelo nunca te dirá [dizendo]

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Marcelo Rebelo de Sousa voltou a demonstrar muita preocupação acerca da execução dos fundos europeus contemplados no PRR – a famigerada bazuca. Marcelo tem feito tantos avisos nesta matéria que só por muita distracção é que alguém ainda pode alimentar dúvidas sobre aquilo que aconteceu a todos os outros fundos públicos, colocados à disposição de vários governos ao longo de várias décadas.

No fundo, Marcelo está apenas a romancear sobre o assunto e a dizer – nas entrelinhas – as palavras que nunca disse nem dirá.

Atentemos nas palavras ditas por Marcelo, mas também nas implícitas.

“A última coisa que pode ocorrer nesta execução é desbaratarmos fundos [como fizemos anteriormente], que são fundos de todos [e não apenas da meia dúzia do costume], a última coisa que poderá acontecer durante esta execução é termos casos de mau uso, de fraude, de desperdício na utilização de fundos europeus [tal como aconteceu em todas as outras enxurradas de fundos públicos] ”.

“Se isso é sempre condenável [felizmente, inimputável] em fundos que são fundos públicos, é mais grave quando se trata de fundos irrepetíveis e de utilização em curto espaço de tempo [em que fica mais difícil disfarçar para onde vai o dinheiro]. Os portugueses não perdoariam [como sempre têm perdoado] e é bom que se tenha a noção disso e se tenha no momento do arranque, e não a meio, nem no final [porque aí ficará mais difícil de tapar o rasto]. Não perdoariam e não perdoarão".

"Vamos ter de trabalhar no duro durante os próximos anos [e não andar a mandriar como sempre fizemos] ”.

Pois é… Marcelo tem-se fartado de enviar mensagens engarrafadas, que eu desconfio não ter despertado nenhum tipo de paixão em quem as encontrou. E sem qualquer tipo de receio em tornar este texto numa espécie de spoiler – até porque todos já conhecem bem o enredo -, não é difícil antever que esta história acabará como todas as outras.

Quanto ao perdão do povo português, Marcelo pode ficar descansado. O povo português saberá – como sempre – perdoar. Não tem feito outra coisa em todos os actos eleitorais, em quase 50 anos de Democracia. Tem sido assim, cíclica e sucessivamente, até ao naufrágio final.