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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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As patentes, o lambe-botas e o lambe-cus

As patentes das vacinas contra a Covid-19 é um dos assuntos do momento, pelo que não há como não voltar a escrever sobre isso.

A quantidade de mentiras que têm sido proferidas nos últimos dias é de bradar aos céus. Há por aí uns iluminados que teimam em afirmar que o problema da falta de produção de vacinas e consequente escassez, não tem nada a ver com as patentes. E acrescentam que o levantamento das mesmas não iria fazer com que houvesse mais vacinas.

Até se percebe que a senhora dona Merkel e o senhor Macron profiram este tipo de sandices, pois todos sabemos quais os superiores interesses minoritários que eles estão a defender nos seus respectivos países. Agora, que António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa usem o mesmo tipo de argumentos, isso já não se compreende tão facilmente. Talvez o hábito de lamber as botas e outras partes menos expostas da tão adorada minoria reinante deste sistema capitalista seja algo incontornável, mesmo quando do outro lado da balança está esse valor menor que é a saúde e a vida das pessoas.

Costa e Marcelo dizem que não há nenhum laboratório “no mundo” que esteja pronto para produzir vacinas e que não o esteja a fazer por causa das patentes. Pois, mas a Organização Mundial da Saúde e vários laboratórios dizem exactamente o contrário, há vários meses.

Curioso que Costa e Marcelo digam que o problema da escassez das vacinas não está nas patentes, mas sim na falta de produção. Como podem dizer algo tão profundamente contraditório? Essa afirmação só faria sentido caso os laboratórios que detêm as patentes estivessem a produzir muito abaixo das suas capacidades, algo que ainda ninguém ousou dizer e que constituiria mais uma razão para que o poder político se insurgisse.

Primeiro-ministro e Presidente da República também estão de acordo com o facto de o eventual levantamento das patentes poder abrir um precedente indesejado (já cá faltava a patética narrativa dos “precedentes”). Dizem eles que o levantamento das patentes pode levar, no futuro, à falta de incentivos à investigação. Falta de incentivos? É preciso ter muita lata para falar em falta de incentivos, quando foram muitos os milhares de milhões de dinheiros públicos despejados na investigação e desenvolvimento destas vacinas. É ainda mais inacreditável que um Primeiro-ministro e um Presidente da República considerem que “salvar vidas” não é, de per si, um incentivo mais do que suficiente para que se produza investigação científica. Como se os lucros obscenos de uma minoria fosse algo sagrado e que tem que ser preservado e garantido, acima de qualquer outro valor, até mesmo a vida das pessoas.

A dupla maravilha ainda acrescenta que o levantamento das patentes poderia conduzir à falta de segurança e qualidade das vacinas, como se o levantamento das patentes significasse que as vacinas pudessem passar a ser produzidas em qualquer estaminé. Atentem bem na perfídia patente neste tipo de argumentos.

Em abono da verdade, aquilo que António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa dizem sobre o levantamento das patentes não tem qualquer impacto numa eventual decisão sobre o assunto. Algo que só torna as suas declarações ainda mais repugnantes.

Eu, enquanto português, só posso sentir nojo por este tipo de políticos, que fazem de tudo para agradar aos superiores hierárquicos da Europa. Não será tanto o caso de Marcelo, mas Costa ainda sonha em seguir os passos de Durão Barroso.