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Contrário

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Áustria: há sempre uma segunda primeira vez

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Na Áustria, há alguns dias, o chanceler Schallenberg começou por determinar o confinamento das pessoas não vacinadas. Neste momento, toda a população está em confinamento, sendo que os vacinados só deverão permanecer nesta situação até ao próximo dia 12 de Dezembro. Os não vacinados - esses seres de raça inferior - vão continuar em confinamento por tempo indeterminado. Pior ainda, o chanceler determinou que a vacinação contra a Covid-19 passa a ser obrigatória para toda a população com idade superior a 12 anos, até Fevereiro. O chanceler disse que deu tempo às pessoas para que decidissem tomar a vacina e, como não o fizeram na medida que ele pretendia, então decidiu torná-la obrigatória. Ou seja, aquilo que ele disse foi algo do tipo: “como vocês não fizeram voluntariamente aquilo que eu quero, agora vão ter que o fazer nem que não queiram”.

Aquilo que mais assusta no meio de todo este abuso de poder é o facto de ninguém, nenhum líder – se é que ainda os há – ter condenado este tipo de medidas, que só servem para dividir a sociedade. Reparem, qual a razão de criar uma divisão desta natureza, quando está mais do que provado que a população vacinada também propaga o vírus?

Pior que não condenar os autoritarismos é considerar seguir-lhes o exemplo. Por exemplo, a Alemanha – curioso – está a considerar tomar o mesmo tipo de medidas. As autoridades alemãs até anunciaram que no final do Inverno, as pessoas ou estarão vacinadas, ou recuperadas da doença ou mortas. Como se alguém pudesse fazer uma previsão desta natureza. Obviamente que uma parte considerável da população não estará em nenhuma das condições previstas pelas autoridades alemãs. Mas mesmo que essa previsão fizesse sentido, a verdade é que a esmagadora maioria das mortes verificar-se-á na população vacinada e não o contrário, como pretendem fazer crer.

Outros países europeus estão a avançar com imposições restritivas, principalmente para perseguir e penalizar uma parte da população, a que não está vacinada. Vejamos, seja qual for a razão que leva um cidadão a rejeitar a vacina, essa escolha deve ser respeitada e esse cidadão não deve em caso algum ser marginalizado pela sua escolha, sobretudo porque as vacinas em causa não têm o efeito desejado na protecção contra a doença grave, muito menos no impedimento da propagação do vírus, que muitos estudos científicos sustentam que é nula. E, convenhamos, apesar de estarmos na presença de uma nova doença, perigosa e com uma taxa de mortalidade considerável, os números (desde o início) não apontam para medidas tão drásticas, as que levam à segregação da população e que ponham em causa o sistema democrático.

Eu até sou a favor da implementação de medidas restritivas para controlar a pandemia. Acho até que Portugal já deveria ter avançado com mais restrições, mas com uma singela diferença, a de que essas restrições devem dirigir-se a toda a população por igual e não apenas para alguns.

Insistir em divisionismos, enviando apenas os não vacinados para uma espécie de prisão domiciliária, nalguns casos fazendo-os perder os seus empregos, sem que haja qualquer evidência científica de que essa população propaga mais o vírus do que os demais, significa apenas que os governos estão – nesta pandemia - ao serviço de um sistema capitalista ávido por dinheiro, sedento de poder e controlo absoluto. E não ao serviço dos cidadãos. A verdade é que, provavelmente estamos a assistir a uma “praga de vacinados” e não o contrário. “Praga de vacinados”, na medida em que uma grande parte da população vacinada é a que mais desrespeita as regras da etiqueta respiratória, do distanciamento físico, etc. Não é novidade para ninguém que a maioria da população vacinada considera que já não tem que cumprir com as regras, por achar que está protegida e que não contagia. Aliás, aquilo a que estamos a assistir na Europa e que começa (só) agora a verificar-se em Portugal (porque o Verão durou até muito mais tarde), ou seja, o aumento drástico dos números da pandemia, muito se deve a essa coisa absurda que se chama passe sanitário ou certificado digital.

Em suma, a Áustria foi, “uma vez mais”, a primeira vítima desta nova onda de fascismo supremo, desta feita baseado na pretensa primazia da raça vacinado. Assistamos de braços cruzados até onde esta onda fascizante consegue chegar.

Entretanto, lanço uma vez mais o repto à “brigada dos precedentes”, para que venham para a praça pública espumar-se contra este tipo de autoritarismos. É que já os vi em situações de pré-síncope por muito menos. Muitíssimo menos.