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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Barracada na TAP

Na última reunião do Conselho de Ministros, o governo da maioria (PPD/CDS), aprovou com louvores e aclamação a "venda" da Transportadora Aérea Portuguesa (TAP). Mas, a verdade é que este governo já havia decido a venda da TAP nestas condições há muito tempo atrás, pelo menos, desde o dia em que tomou posse. A maioria PPD/CDS decidiu logo no ínico da legislatura, arrastar a decisão da venda da TAP para o final do longo e infecto mandato. E porquê? Se era para vender, porque não vendeu logo, quando valia mais e havia mais interessados? Não que eu esteja de acordo com a venda de uma empresa pública e de extrema importância estratégica para o país, longe disso, mas se queriam vender, por que razão arrastaram a decisão para o final do mandato?

 

Obviamente, para criar um clima de indefinição na esféra de actuação da empresa, o que só contribuiu para acentuar a incerteza nos trabalhadores, accionistas e clientes. Pior que isso, o governo deteriorou a sua própria posição de vendedor, enfraquecendo-se deliberadamente perante qualquer (mas não qualquer um) ávido comprador. Em 2013, António Borges (o então consultor do governo para as privatizações) disse que não faltavam interessados na compra da TAP, o que fazia antever um "bom" negócio para o Estado. Mas, como já referi, esse não era o interesse deste governo. Também em 2013, o secretário de estado dos transportes disse que o governo estava muito atento às movimentações do mercado. Vejam bem que até tinham uma equipa de assessores especializados e um consultor super especializado em grande negociatas, mas naquela altura as propostas eram demasiado boas para o Estado, a TAP valia mais do que vale agora e isso dificultava a negociata. O mesmo secretário de estado disse, há bem pouco tempo, que a TAP seria vendida pelo "preço que dessem por ela". Foi o expirrar da fétida estratégia de desbaratação da TAP que este governo tentou sufocar durante anos. O homem não aguentou a pressão e saltou-lhe a tampa. E agora voltou a saltar-lhe a tampa quando disse que o objectivo da venda da TAP não é arrecadar dinheiro para o Estado, mas sim capitalizar a empresa. Ou seja, o governo decide surripiar uma empresa ao Estado (nós) com o objectivo de capitalizar a mesma e não o de aumentar os euros no cofre do Estado, no preciso momento a partir do qual deixa de ter poder de decisão dentro da mesma. Realmente... Viva o capitalismo! Viva o poder totalitário que permite alienar património público em troca de 5 paus, tendo em vista a capitalização de património privado!

 

Que barracada! 

 

Por falar em barracada, o nome Barraqueiro apareceu apenas nos descontos do prolongamento desta perversa negociação. Por que será? Mais, o barraqueiro é o accionista maioritário do consórcio... É realmente espantoso! Há quem diga que se trata de um "testa-de-ferro" do David Neeleman, mas cá para mim ele é mais um "pau-mandado" que deu a cara a uma estratégia de desmantelamento e usurpação de uma bela fatia do património público, fatia essa que há-de render muito a todos os envolvidos na negociata. O futuro dirá.

 

Para terminar, resta-me dizer que sempre achei que a TAP nunca seria vendida (e ainda não foi... calma no Brasil...) pela módica quantia de 10 milhões de euros. Conhecendo bem estes senhores, sempre tive a certeza que o Estado (nós) teria que pagar e bem a quem viesse deitar as manápulas na TAP. Mas foi por pouco! É que segundo as contas deste governo, a TAP valia 45 milhões de euros, mas depois da última e recente greve dos pilotos que, segundo as sempre acertadas contas do governo, causou um prejuízo de 35 milhões de euros na empresa, o valor da TAP quedou-se pelos 10 milhões. Que chatice! Mais 2 ou 3 dias de greve e o governo ainda pagava pela venda, tal como sempre previ. A culpa é do sindicato, pá! Estragaram-me as previsões!

 

O problema é que este governo nunca desaponta as minhas previsões e, por isso, preparem-se senhores contribuintes, porque se esta negociata se concretizar vão ter que pagar, e não será pouco.