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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Certas comunidades científicas, médicas e outros chibangas…

Eu achava que a comunidade científica funcionava como um todo, sobretudo no que respeita ao trabalho de encontrar soluções para problemas globais, como esta pandemia. Afinal estava enganado. Na verdade existem várias comunidades científicas, com pensamentos e métodos variados. Se por um lado isso até poderia ser entendido como algo positivo, por outro leva-me a pensar que os cientistas, não raras vezes, andam completamente às aranhas.

No que ao combate à Covid-19 diz respeito, há uma comunidade científica que diz já ter encontrado o anticorpo eficaz no combate ao coronavírus, há uma outra que diz que terá uma vacina pronta no Verão deste ano, há outra que diz que terá a vacina pronta no final deste ano, depois, vem outra dizer que a vacina chegará na Primavera do próximo ano, há ainda outra que diz ter a vacina pronta depois do Verão do próximo ano e, por último, há outra que diz que uma vacina para a Covid-19 só será possível no final de 2021. Creio que é com esta última que o Primeiro-ministro António Costa tem falado, já que há muito tempo que vem atestando que a vacina só chegará no fim do próximo ano.

Agora, a comunidade médica. Sim, porque comunidade médica e comunidade científica são coisas diferentes, embora haja uma enorme tendência para achar que é a mesma coisa, algo que os médicos apreciam. O facto é que os médicos não fazem investigação científica, pelo menos a maioria deles não o faz, nunca fez e nunca fará. Portanto, não fazem parte da comunidade científica. São apenas depósitos de alguma informação científica. Mas, como vimos, isso pode ser um problema, já que existem várias comunidades científicas a produzir informações contraditórias.

Um destes dias ouvi um médico (especialista em imunologia) dizer que existe um estudo que conclui que a imunidade de grupo poderá ser conseguida com apenas 15% da população porque, no caso da Covid-19, 80% das pessoas são assintomáticas e nesse sentido acabam por ficar imunes sem se terem apercebido que tiveram o vírus, atestou ele. Faltou apenas explicar por que razão o senhor doutor inferiu tal conclusão. Dando como verdade que 80% das pessoas portadoras do coronavírus não apresentam sintomas, como é que se chega à conclusão que a imunidade de grupo pode ser conseguida com apenas 15% da população? Talvez o cientista que realizou o tal estudo não tenha conseguido explicar essa mesma conclusão e, por conseguinte, o senhor doutor ficou-se por ali. Fica para a próxima.

Entretanto, o bastonário da Ordem dos Médicos veio garantir que o uso de viseiras de protecção não é fiável, devendo optar-se pelo uso das máscaras. Disse ainda que as viseiras oferecem algum grau de protecção a quem as use, mas não às pessoas que lhe estão próximas. Também a directora-geral da saúde, Graça Freitas, diz que a viseira não dispensa a utilização da máscara. Só não especificou que tipo de máscara, mas creio que pode ser uma daquelas que até há bem pouco tempo ofereciam uma falsa sensação de segurança.

Depois de ouvir com atenção as afirmações da senhora doutora Graça Freitas e do senhor doutor Miguel Guimarães fiquei a pensar qual terá sido a razão que os terá levado a só vincar este ponto agora. É que há semanas que vemos, todos os dias, pessoas a usar só a viseira, desde ministros a polícias, sobretudo os polícias que durante as últimas semanas contactaram com milhares de portugueses nas ruas e os abordaram com bastante proximidade física. Estas imagens passaram insistentemente em todos os canais de televisão e nem o senhor bastonário da OM nem a senhora directora-geral da saúde alertaram para a perigosidade da situação. Não terá sido por mal, é que apesar de ambos estarem sempre muito disponíveis para falar nas TV’s, eu suponho que eles não vêem muita televisão.

É por estas, entre outras, que os médicos adoram ser percepcionados como cientistas. Assim podem mandar postas de pescada sobre a impermeabilidade e a absorção por parte das fibras e dos tecidos, ou sobre a deslocação dos aerossóis bucal e nasal em espaços fechados, transportes públicos ou ao ar livre.

Bem, como isto se alongou, já não há tempo para falar nos “chibangas”, mas atrevo-me a prever que para o ano, Fevereiro vai ter um dia nublado, não, dois dias nublados, o dobro.

 

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