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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Com maioria, Marta Temido não teme nem treme

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A 22 de Abril deixou de ser obrigatório o fim do uso obrigatório da máscara em espaços fechados, excepto transportes públicos e serviços de saúde. Na altura, o agora governo maioritário tomou essa decisão de modo “unilateral”, já que fez orelhas moucas daquilo que os especialistas diziam, ou seja, que ainda era muito cedo para abandonar o uso das máscaras em espaços fechados. Em cima desta irresponsável decisão, o governo decidiu também acabar com a comparticipação nos testes antigénio.

Agora que o número de contágios atingiram proporções nunca antes vistas – só para que se tenha a noção, no final de Janeiro deste ano a taxa de positividade foi de cerca de 18%, agora é de quase 40% - a ministra da saúde já fala em ouvir os especialistas. Porém, continua a considerar que não há necessidade de voltar a implementar o uso obrigatório da máscara em espaços fechados, nem a atribuir a gratuitidade dos testes nas farmácias.

A senhora ministra da saúde afirma que as pessoas podem e devem recorrer aos autotestes, porque são altamente eficazes. Não, não são. Os autotestes têm uma sensibilidade baixa. Os autotestes só confirmam um resultado positivo quando as pessoas apresentam uma carga viral muito elevada, que ocorre vários dias depois de já estarem positivas, sintomáticas e potencialmente contagiosas.

A senhora ministra Marta Temido diz que o aumento do número de casos não se reflecte nos internamentos e óbitos. E acrescenta que, neste momento, o controlo da pandemia passa pela “auto-regulação” do comportamento das pessoas. A ministra da saúde mostra-se confiante na responsabilidade das pessoas nos seus comportamentos diários.

Bem, está claro que a senhora ministra Marta Temido ainda não conseguiu aprender nada com esta pandemia. Com que então o aumento “brutal” do número de casos não se reflecte nos internamentos e óbitos. Primeiro, isso nem sequer corresponde à verdade, pois o director do serviço de urgência do hospital de São João já veio confirmar o contrário. Para além disso, a senhora ministra da saúde já deveria saber que o número de internamentos e de óbitos não sofre um reflexo imediato. Estes números tendem a aumentar semanas depois do aumento abrupto de casos. Depois de tantas vagas, a senhora ministra ainda prefere ficar à espera para ver.

Quanto ao facto de Marta Temido mostrar-se muito confiante no comportamento responsável dos cidadãos, basta recordar a responsabilidade e bom senso que tiveram no Natal de 2020 e por aí fora.