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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Como assim “os números actuais não são preocupantes”?

Dizem por aí os entendidos que os números actuais da pandemia não são preocupantes. E quanto ao facto de os números estarem numa tendência crescente, os mesmos “entendidos” dizem que não é relevante, porque aquilo que verdadeiramente importa são os números dos internamentos, internados em UCI e mortes. Segundo eles, os números actuais são muitíssimo mais baixos do que anteriormente.

Pois muito bem, a pergunta que se deve fazer é: o que entendem por “anteriormente”?

Se puxarem o filme até ao início podemos facilmente concluir que os actuais números da pandemia ainda são motivo de grande preocupação.

O desconfinamento de 2021 iniciou-se há cerca de dois meses e meio e, neste momento temos (números de ontem): 254 internamentos, 52 casos em UCI, 3 mortes e 769 novos casos.

Se compararmos com os números do ano passado, tendo por base também os números verificados cerca de dois meses e meio depois do início do desconfinamento temos o seguinte: 375 internamentos, 40 casos em UCI, 2 mortes e 238 novos casos.

Podem dizer que agora se está a realizar mais testes. Sim, é verdade que estão a ser realizados mais testes (PCR), mas isso não justifica nem retira preocupação sobre os actuais números. Primeiro, porque agora está-se a realizar pouco mais do dobro dos testes que realizavam no ano passado, para igual período pós-confinamento, sendo que o número de novos casos agora é mais do triplo. Segundo, porque em relação àquilo que são os indicadores mais importantes, ou seja, número de internamentos, sobretudo em UCI e número de mortos, neste momento, temos mais pessoas em UCI e mais mortes (mais uma, se considerarmos o início de Agosto de 2020 como período comparativo, tendo por base as datas de desconfinamento).

Portanto, não podemos dizer que os números actuais são claramente melhores, porque na verdade não são, sobretudo se tivermos em consideração (e devemos ter) que no ano passado não havia ninguém vacinado e o número de casos confirmados (imunidade natural) eram cerca de 6% do total de casos confirmados actualmente.

Só falta adicionar um único factor comparativo, que tem a ver com o facto de no ano passado as escolas terem permanecido fechadas no período pós-confinamento (excepto para os 11.º e 12.º anos). Mas, segundo o Governo, as autoridades da saúde e os próprios “entendidos” não devemos dar muita importância a esse factor, já que as escolas continuam a ser os locais mais seguros do mundo e, tal como tem sido noticiado, praticamente não apresentam casos.

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