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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Convinha que o Presidente fosse sério e soubesse a tabuada

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Hoje, o Presidente da República disse o seguinte:

"Estamos a testar como nunca, o que é bom, estamos a ter um número mais elevado de casos, ontem 8.937, com 909 internados e 155 em unidades de Cuidados Intensivos (UCI), e 11 mortos, há um ano o número de casos era 4.602, 2.853 internados, ou seja três vezes mais, 505 em UCI, três vezes e meio mais, e com 89 mortes, sete vezes mais".

Ora, quem andar atento, certamente já notou que a comunicação social costuma fazer estas comparações (com os números do ano passado) escolhendo datas cirúrgicas, isto é, fazem as comparações do número de mortes de este ano face ao mesmo dia do ano passado, mas apenas quando o valor deste ano é dos mais baixos verificados nessa semana. Por exemplo, a SIC decidiu fazer essa comparação no passado Sábado (algo que Marques Mendes repetiu no Domingo, mas usando o dia 18 de Dezembro – Sábado – e não o dia em que fez o comentário - Domingo). Então, a SIC escolheu o dia 18 de Dezembro, no qual ocorreram apenas 12 mortes, pelo que em comparação com o mesmo dia do ano passado (75 mortes) concluiu que este ano houve cerca de seis vezes e meia menos mortes (quase as sete a que Marcelo se referiu). Contudo, se Marques Mendes fosse um bocadinho mais honesto, no Domingo (dia 19 de Dezembro) deveria ter dito que em 2020, nesse dia, faleceram 86 pessoas e que este ano faleceram 25 pessoas – cerca de três vezes e meia menos, não as sete vezes menos.

E hoje, Marcelo Rebelo de Sousa fez ainda pior. Além de demonstrar que não sabe a tabuada, optou por comparar o dia 23 de Dezembro de 2020 com o dia 22 de Dezembro de 2021, porque dá um jeitaço à sua narrativa. Então, o Presidente da República diz que agora temos sete vezes menos mortes. Vejamos, a 23/12/2020 registaram-se 89 mortes, se compararmos com o dia de hoje (17 mortes), logo se conclui que não são sete vezes menos, mas sim cerca de cinco vezes menos. Portanto, vê-se nitidamente que o objectivo é só fazer comparações nos dias em que a diferença é maior. Mas como Marcelo não poupa em intrujices, escolheu um dos dias em que se registou mais mortes em Dezembro do ano passado (dia 23) e compara-o com um outro dia de Dezembro deste ano (dia 22), apenas porque é um dos dias em que se registou menos mortes (apenas 11).

Vá lá. Sejam sérios se querem que a mensagem seja entendida como tal. As comparações com o ano passado devem comportar vários dias como intervalo de comparação e não apenas um dia. Normalmente faz-se a comparação pela média semanal. Deste modo, a média semanal de hoje dá-nos 18 mortes, sendo que a média semanal a 23/12/2020 foi de 75 mortes. Portanto, comparando os valores médios podemos dizer que, neste momento, a mortalidade é cerca de quatro vezes inferior à verificada no ano passado por esta altura.

Porquê este tipo de atitude? Só para poder suportar a narrativa de que as vacinas são o santo graal? Lamento, mas não são. Há pouco tempo, esta mesma gente dizia que agora verifica-se 10 vezes menos mortes. Vejam bem por onde é que isto já vai.

Não há nenhuma necessidade em agir desta forma, fazê-lo só demonstra perfídia, algo que levanta uma enorme suspeição. As vacinas reduzem a mortalidade, é um facto. As vacinas não reduzem a mortalidade na medida daquilo que foi e continua a ser martelado. É outro facto.