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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Corre o Rio para o poleiro?

Rui Rio deu, não uma mas duas entrevistas de uma assentada, onde se apresentou como possível candidato à liderança do seu partido, o PSD. Mas porquê falar no assunto agora? Quando o próprio reconhece que não deverá tomar uma decisão sobre a sua eventual candidatura, até ao Congresso do partido em 2018…

 

Rio irrita-se quando o apelidam de candidato intermitente e indeciso, alegando que não avançou antes para a liderança do PSD “porque tinha um compromisso com o mandato no Porto”. Ora, se a memória não me falha, as últimas eleições directas do PSD foram em Março deste ano e o mandato de Rui Rio no Porto já havia terminado em Outubro de 2013. Portanto, caro Rui Rio, esse argumento não colhe. Porque não se candidatou em Março deste ano?

 

Rui Rio também disse que não liga às sondagens, mas cheira-me que liga e muito. Porque, por um lado, as sondagens revelam uma crescente impopularidade do actual líder Passos Coelho. Por outro lado, mesmo a cerca de um ano distância, já se percebeu que o PSD não vai conseguir bons resultados nas Autárquicas.

 

Rio disse ainda que "só avança se o PSD não descolar" (nas sondagens que ele desvaloriza) e “não se tornar numa alternativa séria ao PS, mas sobretudo às esquerdas, que isso é que é pior”.

 

Ora bem, como político experiente que é, Rui Rio já deveria estar seguro de que o PSD não vai descolar, nem se vai tornar em alternativa credível com Passos Coelho ao leme. Logo, a pergunta que se impõe é: Porque não desafia já a liderança? Uma vez que não foi capaz de o fazer nas directas do passado mês de Março.

 

Rio diz tudo isto, ao mesmo tempo que se afirma como “alguém que dá o passo à frente”, como alguém que sabe liderar… Contudo, vê o seu partido a afundar e não faz nada para o impedir. Prefere ficar à espera do previsível desaire nas Autárquicas do próximo ano, para depois aparecer como “salvador da pátria” (perdoem-me a hipérbole).

 

A mim, parece-me que Rui Rio teve medo de enfrentar o desgastado Passos Coelho em Março, quando tinha todas as condições para o fazer, tal como tem medo de o desafiar agora que se encontra moribundo. Rio prefere “maquinar” por detrás da cortina e só avançar quando Passos Coelho estiver definitivamente morto e enterrado (só depois das Autárquicas).

 

Com esta postura, Rui Rio demonstra uma tremenda falta de coragem política (característica dos fracos, não dos líderes). Revela também uma clara intenção de desgastar ainda mais a posição do actual líder e uma manifesta, e até prazerosa vontade de assistir de camarote ao desmoronar do seu partido.

 

A isto chama-se pôr os interesses pessoais acima dos superiores interesses partidários. Rio disse, lá do cimo da sua altivez, que “não desilude as pessoas”. Já se percebeu que não, sobretudo a sua.