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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Costa ao volante, perigo constante

As trapalhadas de António Costa têm sido tantas, que eu nem sei bem por onde começar. E aviso já que isto vai-se alongar. O senhor Primeiro-ministro considera que se tivesse implementado medidas mais restritivas, mais cedo, isso não alteraria nada nos números da pandemia. Impõe-se perguntar-lhe por que razão decidiu implementar novas restrições agora. Se, segundo ele, estamos perante o inevitável. Nunca apreciei políticos resignados, que facilmente se entregam ao fatalismo, sobretudo quando isso lhes dá um jeitão para camuflar a sua inoperância.

Quanto à questão do encerramento das escolas, António Costa continua a fazer aquela figurinha triste. Só ainda não percebi se por burrice, má-fé ou ambas.

Costa continua a propalar sandices do tipo:

“A necessidade de não voltarmos a sacrificar a actual geração de estudantes”. Mas que grande sacrifício a que a actual geração de estudantes tem sido submetida. Eu vejo sacrifícios nos hospitais e nos lares, Costa vê nas escolas. Quererá António Costa dizer que no anterior ano lectivo, os estudantes transitaram de ano sem ter aprendido a matéria toda? Como se isso já não acontecesse nos outros anos. Se fechassem as escolas por dois ou três meses, isso teria um impacto tão negativo como António Costa e “seus” especialistas defendem? No Reino Unido e em outros países europeus, as escolas já estão fechadas e assim permanecerão, pelo menos até Março. Será que vai ser desta vez que Portugal vai conseguir recuperar o atraso em relação aos outros países? Já que os nossos estudantes não vão parar e, por essa razão, terão um futuro brilhante à sua espera.

António Costa é um político tacanho. Se estivesse muito preocupado com o futuro da geração estudantil, trataria de criar melhores condições de ensino e, acima de tudo, melhores condições no acesso a um mercado de trabalho mais justo. Vejamos. Mesmo que considerássemos o cenário mais catastrófico para o ensino, ou seja, imaginemos que as escolas tinham que fechar por um longo período de tempo, que fizesse com que todos os alunos não pudessem transitar de ano. Que implicação muito grave é que isso teria no futuro dos mesmos? Desde logo, ficariam todos em pé de igualdade e, se calhar, até seria positivo para a maioria deles, porque poderiam aproveitar para consolidar conhecimentos. Numa situação extrema como esta, parece-me óbvio que ter-se-ia que se considerar algumas excepções, desde logo, assegurar o preenchimento do numerus clausus de alguns cursos superiores, como os da área da saúde. Mas isto só mesmo num cenário catastrófico que, para já, não se vislumbra como plausível.

Costa, depois de uma guinada para a esquerda e outra para a direita, reconhece que o tema “divide a comunidade científica”, contudo opta por seguir a corrente facilitista e irresponsável.

Costa e “seus” especialistas asseguram que quase não existem casos de Covid-19 na população escolar até aos 12 anos e que os casos detectados nos alunos com mais de 12 anos são manifestamente baixos. Esta é a estratégia que os Venturinhas apreciam, isto é, pegar numa meia verdade e construir uma tremenda MENTIRA em cima disso. Não é verdade que existam poucos casos de Covid-19 nos alunos, sejam eles maiores ou menores de 12 anos. A verdade é que existem poucos casos confirmados, porque o governo e as autoridades da saúde decidiram não testar esta população. Isso não significa que esta franja da população não seja portadora do vírus e potencialmente contagiosa, muito pelo contrário. A probabilidade de existirem muitos casos positivos na comunidade escolar é enorme, não esqueçamos que estamos a falar de uma população de cerca de 2,5 milhões de pessoas, logo estamos a falar de um dos maiores, senão mesmo o maior vector de contágio na comunidade. A questão que está aqui a ser mistificada pelo governo e autoridades da saúde é o facto de, assim de repente, ter-se deixado de lado o facto de que os assintomáticos constituem importantes vectores de contágio. Ora, quando governo e autoridades da saúde agem desta forma, contrária aos princípios da defesa da saúde pública e da segurança dos cidadãos, estamos conversados. Portando, de onde se esperaria que houvesse bom senso, assertividade e respeito pela vida dos cidadãos, constata-se incompetência, perfídia e falta de respeito pelos mesmos.

Costa saca mais um peão, ao dizer que os casos na comunidade escolar são poucos, e que a comprovar essa afirmação está o facto de o maior aumento de caso se ter registado na faixa etária entre os 22 e os 29 anos. Que desfaçatez! Desde logo importa reparar na escolha da faixa etária. Não existe nenhuma faixa etária utilizada em estudos que tenha por base o intervalo de idades entre os 22 e os 29 anos. O normal é considerar o intervalo 20-29. Porquê atentar neste pormenor? Porque ele é bastante revelador da manha de António Costa. Ele prefere começar o intervalo nos 22 anos, para deixar de fora, também, os estudantes universitários. Deixando de lado este pormenor, o facto de se registar um grande aumento de casos confirmados na população entre os 22 e os 29 anos isso não significa que seja esta a faixa etária que mais contribui para a propagação do vírus, ou que não haja outras que o façam na mesma medida. Caso contrário, teríamos de considerar que até há bem pouco tempo e durante quase todo o período da pandemia, foram os mais idosos os responsáveis pela propagação do vírus, algo que todos sabemos que não é verdade. Uma coisa é a população mais afectada em termos de gravidade da doença, outra é a população que mais influencia o aumento dos contágios. Portanto, pela mesma linha de raciocínio, António Costa também acha que foram (e continuam a ser) os idosos que vivem em lares que mais contribuíram para as cadeias de contágio. Que me desculpem os mais sensíveis, mas este Primeiro-ministro perdeu completamente a noção da realidade.

A questão das escolas prende-se obviamente com a falta de testes realizados à comunidade escolar, especialmente aos alunos. Voltamos sempre à velha questão que aqui me tenho fartado de referir: se não há testes, não há casos confirmados, logo não há perigo de contágio. É esta a cartilha de António Costa, no que às escolas diz respeito. Não é pelo facto de não se confirmarem muitos casos e, sobretudo, casos graves nos alunos que a população escolar deixa de ser um importante vector de contágio na comunidade. Conheço inúmeros casos de professores e auxiliares que testaram positivo no decorrer do ano lectivo, sem que as autoridades de saúde tivessem realizado um único teste aos alunos que estiveram em contacto com essas pessoas. Também conheço vários casos de pais que testaram positivo à Covid-19, com e sem sintomas, e quando estes questionaram as autoridades da saúde sobre o que deveriam fazer em relação aos seus filhos em idade escolar, disseram-lhes para que permanecessem em casa por um período de 14 dias e voltassem às aulas, sem realizar qualquer teste que comprovasse que não estavam positivos ao fim desses 14 dias. Tem sido esta a postura. Não realizar testes à população em idade escolar, mesmo que coabitem com pessoas que estejam positivas.

O Primeiro-ministro volta a troçar com os portugueses quando decide brincar com os números da pandemia, só para levar a água ao seu moinho. António Costa disse que a prova de que não existe riscos de contágio nas escolas está no facto de os maiores aumentos de casos terem ocorrido no período em que as escolas estavam fechadas. Será isto verdade? É claro que NÃO. Na primeira vaga, o pico de novos casos deu-se a 31 de Março, com 1.035 casos. Costa preferiu estender o pico para 10 dias depois, quando se atingiu o valor de 1.516 casos, mas a verdade é que esse dia (10 de Abril) foi uma excepção na curva de casos, que já se encontrava na curva descendente desde o dia 31 de Março. Portanto, pico a 31 de Março. Por que razão Costa considera que as escolas não contribuíram para esse pico, quando fecharam cerca de apenas três semanas antes? O resultado do comportamento e movimentação das pessoas não é imediato, leva várias semanas a produzir os seus efeitos. E, afinal de contas, foi ou não foi o confinamento geral (incluindo escolas fechadas) que achatou a curva pandémica? Querem reescrever a história.

Outra situação factual é que, após o desconfinamento, os números da pandemia mantiveram-se mais ou menos estáveis até à altura em que se iniciou o ano lectivo em Setembro. Recordemos que as escolas mantiveram-se encerradas desde Março, exceptuando pequeníssimas excepções, no decorrer do último período. Cerca de três semanas após a reabertura das escolas (em Setembro) os números começaram a disparar e não mais pararam até agora, com algumas descidas pelo meio. António Costa prefere constatar que não existe nenhuma relação entre estes factos e a abertura das escolas. Mas, notem bem, já vê relação no facto de os números terem voltado a disparar durante as férias de Natal, altura em que as escolas estão fechadas. Como se os números de um determinado dia ou semana tivessem que ver apenas com comportamentos de contágio dessa mesma semana ou da semana anterior.

Por exemplo, no dia 6 de Janeiro tivemos 10.027 casos registados e as escolas – que, por acaso, até já estavam abertas nessa altura – haviam encerrado para as férias de Natal a 16 de Dezembro, portanto, nos cerca de 18 a 19 dias antes desse pico de casos. Ontem, registou-se um número superior, 10.663 novos infectados, cerca de 13 dias depois da reabertura das escolas. E os próximos dias vão demonstrar que os números não serão menores que os de ontem, exceptuando a parvoíce que costuma acontecer aos Domingos, Segundas e às vezes, também às Terças, em que os números pecam por defeito.

Portanto, António Costa usa uma linha de raciocínio montada na manipulação dos números para fazer passar a sua mensagem preconcebida e finge ignorar que essa mesma linha de raciocínio poder servir para contrariar tudo aquilo que afirma. Não é isto que se exige de um Chefe de Governo.

E, meus caros, a farsa vai continuar. Porque com um confinamento com estas características, os casos não vão baixar significativamente nas próximas semanas, mas para sustentar a sua aberrante mentira de que os casos na população escolar são diminutos, vão tratar de fazer – só agora – aquilo que deveriam ter feito antes do início do ano lectivo, isto é, testar os alunos. Só que, tal como já foi anunciado, o tipo de testes a realizar aos alunos será o teste antigénio que, como sabemos, tende a apresentar resultados falsos positivos nos indivíduos assintomáticos. Logo, vamos continuar a levar com resultados enganadores e discursos manipulados. Aproveito para relembrar, uma vez mais, o senhor Primeiro-ministro – porque parece que ele já se esqueceu – que estar assintomático não significa não poder contagiar.

António Costa não está nada preocupado com o futuro dos estudantes, até porque se fosse esse o caso, já poderia ter feito muito mais pela escola pública, bem antes da pandemia. Esquece-se que está no poder há mais de cinco anos. Aquilo que Costa não quer é suportar o custo de ter que obrigar pelo menos um dos pais a ficar em casa com os filhos, caso decidisse fechar as escolas. Aliás, isso nota-se bem quando ele divide a população escolar entre os alunos até 12 anos e maiores de 12 anos. Não há nenhuma razão que se prenda com a saúde pública para fazer esta distinção. A única razão é meramente financeira. Costa sabe que terá de suportar o custo, ou a maior parte do custo de manter um dos pais em casa, caso as crianças até 12 anos tivessem que ficar em casa. Os outros poderiam muito bem ficar sozinhos. E, vão ver que daqui a não muito tempo, o governo vai anunciar o fecho das escolas a partir do 7.º ano de escolaridade. Devagarinho, devagarinho, sempre atrás do prejuízo.

Mas, se repararmos bem, serão assim tantos os pais a quem o Estado teria que suportar o salário? Neste momento, já muitos pais se encontram em casa, outros estão desempregados ou não têm nenhuma actividade e outros já estão ou podem ficar em teletrabalho. Contas feitas, se calhar não serão assim tantos os pais de crianças e adolescentes que teriam que deixar de trabalhar para acompanhar os seus filhos em casa. Acresce, ainda, o facto de que muitas empresas estão em condições de suportar uma boa parte do salário dos funcionários que tivessem que deixar de trabalhar por um, dois ou três meses, porque têm condições financeiras para tal. E isso faz parte da responsabilidade social das empresas. António Costa deveria ter quantificado todas estas questões e ter os números na ponta da língua, caso não tivesse passado o Verão como a cigarra, a cantarolar.

Seja como for, o que Costa não pode fazer é mistificar os números e cavalgar a sua retórica em cima de meias verdades. Isso é o que os Venturas fazem. Os portugueses não são os estúpidos que Costa pensa que são.

Costa diz que “para quem não está ao volante” é fácil dar palpites. Para mim isso significa apenas um estrondoso e lamentável reconhecer de incompetência para o cargo que desempenha. Achará ele que por ser Primeiro-ministro está imune à crítica e aos palpites? Mais uma vez engana-se redondamente. É perfeitamente normal dar palpites, sobretudo quando ao volante está alguém que não possui carta de condução. Ou então, tê-la-á comprado.

A comunicação social também tem uma boa dose de culpa nesta trapaça diária que tem sido o enredo sobre a situação das escolas. Os senhores jornalistas costumam ser tão expeditos no que respeita a esmiuçar assuntos sem importância e, no entanto, têm sido um bastião da débil propaganda de António Costa, nesta matéria. Quando nos demitimos do dever de duvidar, de questionar e de expor a mentira, estamos completamente entregues.

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