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Cristas: “a safe pair of hands”

Está a decorrer este fim-de-semana o Congresso do CDS, no Pavilhão Multiusos de Gondomar. Ouvi dizer que este congresso serviria para eleger o novo líder do partido, ou melhor, a putativa nova líder. Mas a verdade é que este congresso tem servido apenas para consagrar Paulo Portas. E como ele gosta disso.

 

Este congresso mais parece uma sucessão de testemunho dinástica, à moda norte-coreana ou angolana. Talvez por isso, Portas não tenha deixado de falar em Angola, país cujo modelo de governação ele muito preza.

 

Os trabalhos ainda não tinham começado e Nuno Magalhães já pedia ao eleitorado de centro-direita para votarem no CDS, mas diz que isso não quer dizer que deseja “desviar” votos do PSD. Disse mesmo que gostaria de ver o CDS e PSD a crescer. Que me explique como é que isso é possível, dentro do eleitorado de centro-direita.

 

Portas, por seu turno, disse claramente que quer “roubar” votos ao PSD e assim poder vir a fazer parte de uma nova “geringonça”, uma que seja mais à sua maneira.

 

Portas revelou também uma faceta que eu desconhecia, é adivinho. Ele sabe que muitos dos eleitores que, em condições normais escolheriam votar no CDS, a poucos dias das eleições mudam a sua intenção de voto porque têm medo que o PS vença ao PSD. Então, segundo Portas, é importante que as pessoas confiem no seu instinto e votem na sua primeira escolha, que é o CDS pois claro. Ficamos a saber que o PSD tem vencido algumas eleições porque são uma segunda escolha. E, se calhar, é por isso que o PSD tem convidado o CDS para fazer parte dos governos que tem liderado. E o CDS aceita, não pela sede de poder, mas porque sabe que os votos que deram a vitória ao PSD lhe pertencem e, portanto, é justo que façam parte desses governos.

 

Mas faz algum sentido este raciocínio de Portas? Note-se bem, o CDS nunca conseguirá chegar ao poder sozinho, assim como nunca será o partido mais votado numa eleição. Nunca PSD e CDS juntos formaram governo sem que tivessem uma maioria parlamentar. Qual a diferença de um governo PSD/CDS em que o PSD é o partido mais votado (vencendo o PS) e com a soma dos votos do CDS atinge a maioria parlamentar, e um governo PSD/CDS em que o PSD não é o partido mais votado (perdendo para o PS, por exemplo), mas que com a soma dos votos do CDS pode formar governo?

 

Só se vislumbra duas diferenças. A primeira é que o CDS poderá aumentar o poder dentro de uma eventual coligação com o PSD, poderá chantagear ainda mais o seu parceiro de governo e poderá abocanhar mais gamelas de poder. A segunda é que o CDS sonha poder ser o contrapeso de uma futura solução governativa, para ambos os lados. Ou seja, o sonho de Portas é que o CDS possa ser sempre “a soma de votos que fará falta, seja ao PSD seja ao PS”, para formar governo. Assim garantirá sempre uma posição de poder. É por esta linha de actuação política, entre muitos outros maus exemplos, que eu não vejo nenhuma razão na existência deste partido que, mais dia, menos dia, será definitivamente condenado a reduzir-se à insignificância. Isto é que é ter sede de poder, só pelo poder. Se um dia o BE ou PCP estivessem em condições de formar governo com a soma dos votos do CDS, estes oferecer-se-iam imediatamente para tal solução.

 

Portas, em pleno dia da "suposta" saída de cena, corta definitivamente os emporcalhados laços que uniam CDS a PSD, elegendo estes últimos como os seus principais adeversários políticos a partir de agora. Repare-se que Portas até já foi ao encontro do PS, quando sugeriu a saída do governador do Banco de Portugal. Tal como referi, já se está a pôr a jeito do PS. Isto não me surpreende. É apenas o habitual contorcionismo político de Portas.

 

Portas voltou a criticar a forma como António Costa chegou a primeiro-ministro, alegando que a partir daquele momento tudo mudou e que pode chegar ao pote do poder qualquer partido, até mesmo o CDS. Portas não sabia que isso era possível? Portas não concorda com a forma como se constituiu o actual governo, mas está mais empenhado do que nunca em usufruir de uma situação semelhante. Um artista este Portas!

 

Paulo Portas ainda não conseguiu ultrapassar a derrota. Está tão revoltado com a solução governativa encontrada, apenas porque tal coisa nunca lhe havia passado pela sua cabecinha maquiavélica e, sobretudo, porque não faz parte dela.

 

Já Nuno Melo diz que está 100% com Cristas e espera que Paulo Portas fique por perto. Eu estou em condições de sossegar a mente perturbada de Nuno Melo e garanto-lhe, desde já, que Portas não vai a lado nenhum. Ele vai estar sempre por perto, já que Cristas será “um par de mãos seguras” que assegurará que o CDS continuará a ser o partido de Paulo Portas, dele, só dele e de todos quantos queiram servi-lo. 

 

Antes de terminar, uma última consideração sobre o facto de o CDS ser o único partido político em Portugal que usa e abusa de Jesus Cristo e seus ensinamentos para obtenção de proveitos eleitorais. Uma vergonha! Um verdadeiro cristão jamais usaria o nome de Jesus Cristo e a sua doutrina para obter votos.

 

Este CDS não é uma geringonça, é uma tremenda de uma caranguejola.

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