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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Cristas já ganhou. E Passos?

As eleições autárquicas deste ano ainda estão longe, a maioria dos candidatos ainda nem sequer se perfilou e, no entanto, já existe um candidato vencedor, neste caso concreto, uma vencedora – Assunção Cristas.

 

É verdade, Cristas ainda não foi a votos e já venceu. É óbvio que não será eleita Presidente da Câmara de Lisboa, mas também não é (nem nunca foi) esse o seu propósito. Desde que assumiu a liderança do CDS, Cristas tem um único objectivo - roubar eleitorado ao PSD – a única forma de fazer crescer o CDS. Não acredito que Passos Coelho tenha sido tão ingénuo ao ponto de não perceber as suas intenções, contudo, Cristas soube apostar (e bem) na antecipação, apresentando-se como candidata à Câmara de Lisboa, coisa que provavelmente Passos Coelho não esperava, mas devia, já que quatro anos de coligação foi tempo suficiente para que conhecesse como ninguém o seu parceiro. A partir desse momento, a Passos e ao seu PSD só restava duas hipóteses: apoiar a candidatura de Cristas ou avançar com um candidato próprio.

 

E é aqui que surge o grande dilema ao PSD que, simultaneamente constitui o momento da vitória de Cristas e do CDS. O problema do PSD é não ter um candidato forte a Lisboa (nem ao Porto…). Ao não apoiar Cristas, o PSD arrisca-se a ficar atrás do CDS e isso basta-lhes (ao CDS) para cantar vitória.

 

Note-se que o CDS tem conseguido manter uma estratégia política, apesar de ainda não ter ultrapassado o facto de não ser governo, coisa que o PSD ainda não foi capaz de fazer. O PSD não só não soube ultrapassar o trauma, como não foi nem é capaz de delinear uma estratégia política para o seu partido. Desde muito cedo que o CDS soube o que fazer em relação às duas principais candidaturas autárquicas (Lisboa e Porto) e tem-se apresentado no Parlamento com maior astúcia que o PSD, veja-se o exemplo da questão da TSU. Já o PSD é trapalhada atrás de trapalhada e candidatos de peso ao Porto e Lisboa nem vê-los.

 

No caso da candidatura ao Porto, o CDS já venceu (o PSD) ao apoiar a recandidatura de Rui Moreira, já o PSD só poderá contar com uma pesada derrota com o candidato apresentado. Em Lisboa, o PSD ainda nem sequer tem candidato. À falta de melhor, será que Passos Coelho vai ter coragem de avançar? Não me parece, Passos tem medo de medir forças com Cristas e o PSD vai acabar por apresentar um candidato qualquer. É por isso que Cristas já ganhou.

 

A estratégia de Paulo Portas para exterminar o PSD não está nada má, pois não? Ou será que alguém acredita que o estratagema é obra das cabecinhas de Cristas, Melo, Mota Soares e companhia? Executantes, meus caros. Estes são meros executantes.

 

Paulo Portas continua a comer as papas na cabeça de Passos Coelho.