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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Democracia = a maioria decide

Anda tudo num frenesim por causa da formação do próximo governo. A começar nos políticos, passando pelos comentadores e jornalistas isentos, terminando na mais humilde opinião vinda de um qualquer boteco de esquina.

 

Vamos lá tentar um ponto final na questão. Há alguém no país que saiba o que passa pela cabeça de um eleitor, além do sentido de voto que expressou no respectivo boletim? Por exemplo, quem pode afirmar que um eleitor que tenha votado no PS, não tinha em mente uma coligação com os partidos de Esquerda? Ou com a Direita? Ou até mesmo, que não pretendia que o PS se coligasse após as eleições? Quem pode aferir com exactidão este tipo de vontades que não se podem expressar nos boletins de voto? Ninguém. 

 

Mas, pelos vistos, o que não falta por aí são "Mayas" e "Professores Chibangas", gente dotada desse poder especial que é interpretar aquilo que está para além de uma cruz num boletim de voto.

 

Para colocar um ponto final na questão há que salientar apenas um "pequeno" pormenor, que dá pelo nome de Constituição. O partido que forma um governo em Portugal (país democrático) não tem que ser aquele que recolhe mais votos nas eleições. Aliás, não há nenhuma eleição que legitime directamente um primeiro-ministro ou um governo. Isso não compete aos eleitores decidir. Essa incumbência diz respeito apenas à Assembleia da República que depois de constituida irá apoiar, ou não, a formação do novo governo. É importante que as pessoas entendam, de uma vez por todas, que quando vão votar numas eleições legislativas estão a escolher os deputados que vão representar a sua "escolha" na Assembleia da República. As pessoas não escolhem primeiros-ministros, nem ministros, nem secretários-de-estado, etc. Os eleitores escolhem os deputados que vão legislar na AR, aliás, o órgão com poder legislativo por excelência, daí o nome legislativas. 

 

Portanto, são as forças que foram eleitas para o novo período legislativo que têm agora a obrigação de encontrar uma solução estável de governação. Naturalmente que tem mais força que colher mais apoios na Assembleia da República. Como toda a gente viu, excepto à Direita, a coligação PSD/CDS não conseguiu obter maioria absoluta nas eleições, tal como nenhuma outra força política. Então, quem deve formar governo? Simples. Deve formar governo a(s) força(s) política(s) que apresentem melhores condições de governabilidade. E tem melhores condições de governar quem tem maioria de apoios no parlamento. Simples.

 

É assim que dita a Constituição e é assim que funciona uma Democracia, ou seja, a maioria decide. Goste-se ou não. Aliás, não se compreende que a Direita esteja tanto em pulgas por estes dias, o seu último governo foi uma coligação parlamentar pós-eleitoral. Qual é o espanto? Como não tenho tempo para fazer um desenho aos senhores da Direita, vou colocar apenas um cenário, para ver se entendem:

 

Imagine-se que haviam 11 partidos a concorrer nas eleições legislativas, 10 desses partidos conseguiam 9% dos mandatos cada um. E depois, havia um partido que conseguia 10% de mandatos na Assembleia da República. Portanto, teríamos o cenário de um partido "vencedor" com 10% dos votos, mas com uma oposição de 90% no parlamento. Segundo os iluminados da Direita, o partido "vencedor" (com apenas 10%) deve formar governo, porque venceu. Ah e se os outros partidos que representam 90% se juntarem para formar uma alternativa de governo? A Direita diz: "Não podem". "Não é tradição". "Não podem querer vencer na secretaria". "Governa quem vence".

 

Enfim, parece que há por aí muita gente que ainda não percebeu como funciona a Democracia (goste-se ou não), principalmente à Direita.