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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Dia de reflexão... para quê?

A campanha eleitoral para estas eleições europeias foram o reflexo do significado que as instituições europeias têm para os europeus. Já todos sabíamos o interesse que estas eleições costumam despoletar nos eleitores, mas o que nunca se tinha visto foi a forma como os principais partidos políticos e seus candidatos estão completamente a borrifar-se para as instituições europeias.

 

Esta campanha eleitoral teve de tudo, menos do que seria suposto, ou seja, o esclarecimento dos eleitores sobre a importância das instituições europeias e quais as ideias e projectos que cada partido idealiza para uma verdadeira União Europeia. Com esta campanha, os políticos demonstraram não ter nenhum projecto para a Europa e, acima de tudo, demonstraram a sua absoluta descrença nas instituições europeias.

 

Aquilo que mais uma vez se evidenciou foi a corrida desenfreada aos tachos. Numa altura em que as pessoas acreditam cada vez menos nos políticos e instituições, é quando se vê mais políticos e pseudo-políticos a tentar agarrar um tachito, que neste caso é um tachão. Recordemos a postura de alguns dos principais agentes políticos durante esta campanha para as eleições europeias.

 

- Rangel e Melo (Aliança Portugal), gastaram todo o seu tempo de campanha a falar do PS, de Seguro, Assis e Sócrates. Não apresentaram uma única ideia concreta para a Europa. Tentaram a todo o custo fazer com que os eleitores se esquecessem que são eles que estão no poder, em Portugal há mais de 3 anos e na Europa há 5 anos. O seu comportamento é sempre o mesmo: oposição ao PS, mesmo quando estão no poder. Não se cansam de atacar Sócrates e percebe-se bem porquê. Primeiro porque foi assim que chegaram ao poder e segundo, porque foi pela mão de José Sócrates que o PS conseguiu a sua única maioria absoluta. É por isto e só isto, meus caros. É o medo de José Sócrates no seu estado mais puro. Ainda hoje, Nuno Melo afirmou que “o país tem muito medo de Sócrates”, mas a verdade é que são os partidos deste governo que se borram de medo de José Sócrates. Esta gente é useira e vezeira em recorrer aos mais diversos subterfúgios para dissimular as suas próprias emoções e convicções, ora dizem "os portugueses...", ora dizem "o país...", ora dizem "o interesse nacional...", é sempre assim, quando pretendem referir-se a eles próprios.

 

- No último dia de campanha, Rangel foi ao fundo do baú recuperar uma afirmação de... quem será? Pois claro, José Sócrates. O antigo primeiro-ministro terá dito: "As dívidas dos países não são para se pagar, são para se gerir". Obviamente que se trata de uma declaração que deve ser contextualizada e interpretada com bom-senso e inteligência. É claro que as dívidas dos países não são para se liquidar definitivamente, isso é impossível de se fazer. Nem os EUA, um país com uma economia que  se revela como o pináculo do capitalismo, salda a sua dívida. Nem nunca o fará, porque isso é impossível e seria estúpido tentar fazê-lo. O que os governos inteligentes fazem é gerir a dívida, tal como afirmou Sócrates. Rangel e a coligação não pensam assim... e é ver a dívida portuguesa a subir, subir e subir!

 

- Nuno Melo afirmou esta semana, com toda a insolência e insuficiência intelectual que o caracterizam, que independentemente do resultado das eleições de Domingo, na segunda-feira seguinte Passos Coelho continuará a ser primeiro-ministro. Reparem, isto é o pico da arrogância do fascismo. Arrogar-se do poder perante os eleitores! Isto é o fascimo no seu estado mais puro, afirmar aos eleitores que independentemente do que escolham, quem continuará a mandar serão os mesmos – eles próprios. A Aliança Portugal fartou-se de afirmar que o resultados destas eleições europeias não devem ter nenhuma leitura interna, contudo, não fizeram outra coisa senão falar no governo de José Sócrates...

 

- O próprio Passos Coelho veio a público (pouquíssimas vezes) atacar o anterior governo de José Sócrates. Portanto, o resultado destas eleições não devem implicar nenhuma leitura interna, mas o governo que antecedeu o actual deve ser culpabilizado também nestas eleições... enfim, esta é a lógica da direita portuguesa.

 

- Portas foi outro que foi de empurrão na disparatada estratégia caça-votos "Sócrates é o culpado de tudo o que de mau existe e há-de vir". Portas quase não apareceu na campanha. Porquê? Terá estado submerso dentro de algum submarino? Terá estado preso nalgum gabinete a triturar fotocópias? Ou terá as mesmas razões de Passos Coelho para não aparecer? Talvez as 3 anteriores... Hoje, desesperado, disse sobre Sócrates (claro, que outro assunto tem esta gente?): "Ele é um génio e todos os outros, nas suas palavras, são imbecis. O problema foi os funcionários públicos e reformados que perderam o poder de compra e os impostos que subiram". Será que é Sócrates quem manda neste governo e ninguém sabe?! Portas ainda acusou o PS de “falta de pudor”. Bem, Portas a acusar alguém de falta de pudor... depois não quer que lhe chamem imbecil.

 

Mas outros factos estranhos aconteceram em outros quadrantes. Veja-se:

 

- Seguro aproveitou para apresentar um programa de governo... Já que está tão interessado em antecipar cenários para as legislativas, podia e devia começar por esclarecer se pretende formar governo em caso de vitória minoritária. E, acima de tudo, com quem pretende formar governo. Ou pelo menos, com quem não pretende fazê-lo.

 

- Guterres apareceu (não na campanha, mas durante o decorrer da mesma) a falar de presidenciais...

 

- Marcelo, apareceu em campanha da Aliança Portugal, mas não foi capaz de demonstrar apoio aos seus candidatos. Justificou a sua aparição como apoiante de Juncker para Presidente da Comissão Europeia (como se isso interessasse a alguém), quando na verdade estava apenas a lembrar ao seu eleitorado (e não só) que ainda não desistiu da ideia de se candidatar a Presidente da República. Terá sido porque António Guterres veio falar sobre o assunto?!

 

- Santana Lopes também tentou pôr-se em bicos de pés, mas ninguém lhe deu ouvidos...

 

- Ferreira Leite apareceu ao lado de Rangel (o seu protegido), mas foi um daqueles encontros tipo: 5 minutos para um cafezinho num sítio subterrâneo e não digas nada a ninguém.

 

- Lobo Xavier também resolveu aparecer. Alguém que tem estado afastado da política activa, decidiu que esta é altura de aparecer porque, repare bem, porque Sócrates foi almoçar com a caravana socialista no Chiado. Aqui está mais um brilhante exemplo de nobreza política, alguém que tem andado entretido a fazer comentário político e desinteressado da vida política activa, repentinamente, decide voltar à ribalta da política. Não porque a dívida pública aumentou, ou porque o desemprego não baixa, ou porque os impostos continuam a subir, ou porque a pobreza aumentou em Portugal. Não!!! Quem é que liga para estas coisas? Agora, o Sócrates foi almoçar com o Assis e o Seguro ao Chiado? Ai então vão ter que levar com o lobo mau!

 

- Cavaco Silva não abriu o bico para dizer nada sobre as eleições europeias, nem mesmo no facebook que ele tanto gosta. Aquele a quem chamam de Presidente da República não se dignou dirigir uma palavra aos eleitores portugueses sobre a importância da participação nas eleições europeias.

 

E foi assim...

 

Antevê-se para Domingo à noite:

 

- Uma vitória do PS;

- Uma esmagadora vitória dos partidos de Esquerda sobre os da Direita;

- Uma grande vitória da CDU, que deverá duplicar a votação e o número de deputados eleitos;

- A possibilidade de eleição de Marinho Pinto, pelo MPT. A acontecer, será um feito histórico e um sinal de que a Democracia ainda não está definitivamente asfixiada;

- Uma enorme derrota da Direita portuguesa, desta coligação putrefacta que, na minha opinião, deveria ter um resquício de dignidade e saber retirar as devidas ilações. Mas isso não vai acontecer porque dignidade é uma qualidade que esta gente não tem e porque em Belém mora o pai da podridão e da imoralidade política, o invertebrado-mor que acoberta as suas vermes criaturas.

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