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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Diálogo real no Centro de Saúde

Hoje, pelas 11h00 assisti ao seguinte diálogo num Centro de Saúde:

 

Utente: Preciso de uma consulta.

Funcionário: Ui! Hoje é impossível…

Utente: Mas… eu preciso mesmo de uma consulta…

Funcionário: Hoje já não vai dar. Está tudo cheio. Há médicos de férias e os que estão ao serviço já têm o dia todo ocupado.

Utente: Então… mas são só 11h00, o serviço está a funcionar até às 20h00 e já me diz que não tenho consulta para hoje?

Funcionário: Pois… como disse, há médicos de férias e para hoje o dia já está cheio… Volte cá amanhã, mas venha bem cedo. Esteja cá logo às 8h00 senão corre o risco de não ter consulta.

 

É apenas mais um episódio que revela o estado em que está o SNS. Pelo que se pode depreender da conversa supracitada, o problema acontece porque “há médicos de férias”. Importa referir que não é inteiramente verdade, já que isto acontece em qualquer altura do ano.

 

Contudo, mesmo que fosse pelo facto de haver médicos de férias, impõe-se questionar quem gere as férias dos médicos. Os médicos, tal como qualquer outra pessoa, têm direito às férias. Ninguém contrariará essa evidência, contudo, o atendimento nos serviços de saúde não podem ficar comprometidos devido a esse factor. A saúde não mete férias, pelo que o nível de atendimento tem de estar sempre assegurado.

 

E depois ainda pedem às pessoas para não se deslocarem às urgências hospitalares. E ainda ameaçam não atendê-las ou reencaminhá-las para os Centros de Saúde, onde, como se constata facilmente, não são atendidas em tempo útil.

 

Eu, que tenho uma estranha tendência para a diplomacia, ao escutar aquela conversa no Centro de Saúde, intrometi-me e sugeri à utente que entrasse em diálogo com a doença que a apoquentava, pedindo-lhe que lhe desse uma trégua, pelo menos até às 8h00 do dia seguinte, altura em que ela já estará em condições de saber se vai ser atendida ou não.