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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Do lápis azul à "Le Pen Bleu Marine"

Parece que agora é que é. Marine Le Pen não será, mesmo, oradora na Web Summit. A abordagem a esta polémica deveria começar por responder à seguinte pergunta: Para que raio serve a Web Summit? Mas isso dava pano para mangas, então vamos ao que interessa.

 

Primeiro ponto a salientar é o facto de ninguém querer saber quais são as restantes pessoas que foram convidadas para “orar” na Web Summit. Quais os podres que preenchem as suas vidinhas profissionais. Etc. Trata-se de um evento sobre tecnologia, em que a maioria dos oradores nada têm para ensinar sobre o assunto.

 

Existem oradores de todas as áreas, políticos, banqueiros, especuladores, desportistas, artistas e um ou outro especialista em tecnologia.

 

A razão pela qual Marine Le Pen foi convidada não é objecto de discussão, já que os motivos que levaram a organização a formalizar o convite são os mesmos que levaram a convidar todos os outros. Já as razões que terão levado a organização a desconvidar Marine Le Pen merece toda a discussão. Segundo consta, a organização terá sido pressionada a fazê-lo porque Marine Le Pen representa xenofobia e racismo e porque os dinheiros públicos não podem servir para que ela possa fazer chegar a sua mensagem ao mundo. Houve também quem exigisse que o Governo tomasse uma posição sobre o assunto.

 

De facto, o excesso de ideologia, venha de onde vier, pode cegar. As pessoas passam o tempo a olhar para ecrãs e depois ficam com a visão deturpada. Cabe na cabeça de alguém que o Governo deva intervir na lista de oradores convidados da Web Summit? Mesmo que o evento tenha o apoio do Estado (dinheiros públicos)?

 

Também não é aceitável que, pelo facto de se tratar de uma pessoa de extrema-direita não possa ter direito à exposição das suas ideias. Isso quer dizer que Marine Le Pen deveria ser presa e impedida de falar?

 

Mais estranho ainda é o facto de aqueles que agora mais se opuseram à participação de Marine Le Pen na Web Summit, são aqueles que mais defendem os valores da liberdade de expressão e que “estão dispostos a defender até à morte o direito de cada um poder dizer aquilo que bem entender, mesmo que não concordem”. Afinal não é bem assim.

 

Parece-me que estamos perante uma situação de censura, o que não deixa de ser irónico e engraçado. O lápis azul foi um dos símbolos maiores da Ditadura em Portugal. Naquela altura nada era publicado sem que antes passasse pelo crivo da censura. Portanto, antes eram os ditadores que usavam o lápis azul para censurar, agora, os ditadores são censurados pelo lápis azul, ou melhor, pela caneta azul marinha, porque isto da tecnologia fez evoluir muita coisa.