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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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RAPIDINHA

Doutrinar, doutrinar, doutrinar

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Doutrinar é o papel principal da comunicação social. Tudo serve para espalhar uma retórica que visa adormecer as massas. O seu objectivo é fazer com que as pessoas deixem de pensar sobre os mais diversos assuntos, até mesmo os mais disparatados ou insignificantes. Tudo – mesmo tudo – é usado pela comunicação social como forma de fazer as pessoas acreditarem que não necessitam de pensar, de observar, de pesquisar e até de se instruírem e de se educarem, porque, seja qual for o assunto, haverá sempre um “especialista” que lhes vai dizer como devem pensar e como devem agir.

Todos os dias existem dezenas, senão mesmo centenas de exemplos dessa prática doutrinal, por toda a comunicação social. Quanto mais importante for o assunto, maior o empenhamento da parte dos mais diversos órgãos de comunicação social. Mas, como referi, não há assunto que escape ao doutrinamento.

Chamou-me à atenção uma “notícia” que dá conta dos conselhos de uma “especialista” sobre como se deve comportar, caso tenha um “encontro” com um tubarão. Nessa “notícia”, a especialista alerta para que não se faça “chape-chape” perto de um tubarão, porque ele pode ficar aborrecido com isso. A “especialista” aconselha a que se mantenha uma postura firme e que se olhe o tubarão nos olhos, algo que vai intimidar o bicho. A “especialista” vai ainda mais longe e aconselha aos mais atrevidos para que não batam no nariz do tubarão, porque ele pode abrir a sua bocarra e, claro está, pode dar uma desagradável trinquinha. A “especialista” aconselha a que, ao invés de bater no nariz do tubarão, o melhor é “colocar a mão espalmada no topo da cabeça do tubarão”. As pessoas não têm a noção – lá está, por essa razão existem os “especialistas” – mas os tubarões são animais carentes que adoram “cafunés” na moleirinha. E a “notícia” termina dizendo que, caso aviste um tubarão na água, o melhor mesmo é fugir, mas sem fazer estardalhaço, senão já sabe.

Portanto, esqueça tudo o que aprendeu, esqueça tudo o que viu e ouviu, esqueça que também tem um cérebro, ponha de lado qualquer resquício de bom senso, nunca “google” (como fazem os patetas), porque você não tem capacidade para perceber se aquilo que está a ler, ver e ouvir faz sentido ou se não passa de pura desinformação. Relaxe, não se chateie com nada e siga sempre os conselhos dos “especialistas” que a comunicação social tem para lhe oferecer. Ser “especialista” é algo ao alcance de poucos – só mesmo os predestinados -, mas a comunicação social conhece-os muito bem e tem vários ao seu dispor, para qualquer assunto.

Fiquem atentos, porque em breve sairá o manual de procedimentos sobre encontros imediatos com gambozinos.