E agora, as maiorias de um terço

As “notícias” da Executive Digest não passam de meras traduções de “notícias” fabricadas na comunicação social norte-americana. O jornalismo em Portugal faz-se assim. Os jornalistas deram lugar a tradutores manhosos, que se limitam a adaptar a propaganda do poder norte-americano à população portuguesa que, por sua vez, adora papar toda a palha que lhe põem na frente.
As “notícias” da Executive Digest são o expoente máximo do propagandismo e o SAPO parece adorar, tal é a quantidade de destaques que lhes concede.
Hoje, a Executive Digest publicou esta “notícia”, que dá conta de que “os EUA deviam enviar tropas para a Ucrânia, porque quase um terço dos americanos apoia a medida”. A sondagem refere que 31% dos inquiridos apoia o envio de tropas norte-americanas para a Ucrânia. A sondagem também indica que 34% são contra e, depois acrescenta que um quarto (25%) não apoia mas também não se opõe à medida. Fiquei sem saber o que dizem os restantes 10% de inquiridos. Para os “jornalistas”, os números – verdadeiros ou falsos – não são para se interpretar, uma vez que a narrativa já está previamente estabelecida. Em boa verdade, eles também não têm competência para interpretar os números, tal é a sua incapacidade para realizar cálculos de matemática básica.
Há uns dias, aquando da realização das eleições em Espanha, vi alguns comentadores que papagueiam nos principais órgãos de comunicação social a dizerem que “está na altura de mudar o paradigma, e que o partido que vence as eleições – mesmo que sem maioria – deve formar governo”. Ou seja, para estes espertalhões, os governos não têm que colher o apoio da maioria da população. Estes espertalhões querem subverter o conceito de democracia, para que as minorias possam reinar, sem que se tenha que assumir que vivemos num sistema fascista e ditatorial.
