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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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E é isto sempre que morre um grande artista

Sempre que morre uma superestrela da música assiste-se a uma onda de consternação à escala planetária. Os facebooks e twitters despejam lágrimas de pesar e a comunicação social (que tem responsabilidades acrescidas) desdobra-se em prantos e elogios póstumos.

 

E o que tenho eu contra todo este aparato? Quase nada, excepto o facto de não perceber a razão pela qual a comunicação social, em especial as rádios, que já há muito tempo abdicaram de falar e passar a música dos grandes artistas do nosso tempo, vêm agora bradar aos céus que desapareceu mais um grande artista, como se realmente se importassem com isso (não me refiro à perda do ser humano em questão, mas à perda do artista).

 

Há muito que as principais rádios ignoram a existência e o legado dos grandes artistas. A título de exemplo, desde o início de 2015 até à presente data, artistas como Bob Dylan, Mark Knopfler, Ringo Starr, Brian Wilson, James Taylor, Neil Young, Prince, David Gilmour (os próprios Pink Floyd lançaram o seu último capítulo há não muito tempo, em 2014), Keith Richards, David Bowie, Elton John, Iggy Pop, entre outros verdadeiros grandes artistas, lançaram novas canções. Alguém se recorda de ter ouvido estes nomes nas rádios? Alguém me sabe dizer em que estação se pode ouvir as novas canções destes grandes heróis da música? Pois… quer-me parecer que é uma tarefa quase hercúlea. E já agora, alguém tem ouvido falar por aí de Leonard Cohen, Nick Cave, Van Morrison, Patti Smith e Paul McCartney (só para acrescentar mais alguns)?

 

Mas quando morre alguém realmente “grande” (Michael Jackson, BB King, David Bowie e, agora, o Prince), querem logo tomar parte dessa onda emotiva, exponenciada pelo reflexo facebookiano a que todos adoram associar-se e, se possível, protagonizar um momento especial (ainda que oco) que permita amealhar mais uns likes. Assistimos a uma espécie de reminiscência mecânica, cujo único objectivo é mesmo só tomar parte do que é moda. Porque na verdade é isso que esta gente faz, nada mais nada menos que transformar a morte de uma grande personalidade num momento mediático que possa trazer audiência e likes, muitos likes.

 

Dizem eles: “Morreu o artista, fica o legado”, como se estivessem realmente interessados em perpetuar esse legado. Como se informassem os seus ouvintes ou passassem as excelentes músicas (as antigas, mas sobretudo as novas) que os verdadeiros artistas como os que acabei de referir vão lançando. Tretas! Eles gostam é dos Jay-Zs, dos Drakes, das Beyoncés, das Rihannas, dos Kanye Wests, das Adélias e outras cenas assim tipo… ya meu tás a ver?!

 

Os grandes génios que ainda vivem e, felizmente nos vão presenteando com música de verdade, já há muito que receberam a certidão de óbito por parte das principais rádios e outros meios de comunicação social. Por isso, não me venham com essa fingida devoção. Derramar lágrimas de crocodilo pelo desaparecimento de alguém de quem já nem se lembram que existe? Não sejam hipócritas.

 

Pior ainda é aparecer agora uma qualquer marca de telecomunicações ou de cerveja, a inundar os canais de TV e as rádios ao som de “Purple Rain”, aproveitando a onda do momento para facturar mais algum.

 

Tenham vergonha!