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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Eles vêem-se gregos

No passado Domingo, o povo grego demonstrou por meio de referendo, que não está de acordo com o pacote de medidas que a troika lhes quer continuar a impôr. Não esqueçamos que a Grécia tem estado debaixo de forte austeridade e que é o país da Zona Euro que mais tem sofrido com as medidas da troika, que só têm dado maus resultados.

 

O senhor Junker (Presidente da Comissão Europeia) foi um dos que tentou, logo à primeira hora, colocar o povo grego contra o seu governo - o de Tsipras e Varoufakis. Aliás, esse sempre foi o objectivo dos capachos do FMI e troika que governam as instituições europeias e a maioria dos governos da Zona Euro (Portugal incluído, e com menções honrosas nessa matéria). Mas o povo grego soube no passado Domingo dar mais um passo em frente naquilo que é a Democracia, respondendo às dúvidas que o senhor Junker e os restantes capachos desta Europa tinham sobre a capacidade de se ser livre e dizer "NÃO" e "BASTA" quando tem que ser.

 

O problema destes senhores subordinados aos "mercados" é que vêem-se gregos para infligir as suas regras. Têm agora num Estado-membro, um governo clara e democraticamente apoiado pelo seu povo e que não está para dar continuidade a esta política cega que FMI e troika querem obrigar os povos a aceitar. Vêem-se gregos para tentar pôr água na fervura e impedir que outros Syrisas comecem a proliferar noutros países da União Europeia.

 

O "NÃO" venceu claramente. A mim não me surpreendeu. Mas surpreendeu muitos que, como o senhor Junker e restante tropa, estavam esperançados pela vitória do "SIM". E tanta campanha fizeram, mas o povo grego não foi em cantigas. Portanto, o "NÃO" venceu, mas, para os "senhores" da troika isso não muda nada. Estranho! Porque se o "SIM" tivesse ganho já tudo seria diferente, segundo eles. Pois está fácil de ver que nada seria diferente, apenas o facto de o governo de Tsipras, provavelmente, apresentar a demissão. Ora aí está! Era só isso que a gentalha do poder queria e quer - eliminar o Syrisa. Para poder colocar os mesmos carneirinhos por eles doutrinados, e assim perpetuar as suas loucas e pérfidas teorias mercantilistas. E que nojo me dá ver a senhora Lagarde entrar pelos faustosos salões das instituições europeias, como se fosse tudo dela, passando por cima da dignidade de tudo e todos, como um lobo que entra para rapinar as galinhas. Muito mais nojo me dá ver os pseudo-líderes europeus a fazerem-lhe vénias... Sabujos é o que são! Uns vendidos que corrompem a dignidade dos povos europeus. Mas, uma vez que o "NÃO" ganhou, não há demissões do outro lado? Não há um reconhecimento de que algo não está bem? Não há uma mudança de atitude? Bem, aquela reunião da senhora Merkel em Paris parece ter sido um pequeno passo nesse sentido, a ver vamos...

 

Os aduladores troikianos, entre os quais os incompetentes capachos que por aqui governam, dizem que o objectivo do referendo era reforçar ou fragilizar o Syrisa, contudo, recusam-se a admitir que o Syrisa saiu reforçado. Mas o objectivo era esse apenas nas suas cabecinhas conspurcadas, já que o objectivo foi dar à Europa e ao mundo mais uma brilhante lição de Democracia, mas esta gente que se outorga democrática, pouco ou nada sabe disso. Dizem também que a proposta que foi a referendo já não estava em cima da mesa. Ai não? Então qual é proposta em cima da mesa? E, principalmente, desde quando é que a Democracia deixa de estar em cima da mesa?

 

O governo Syrisa foi corajoso, deu uma lição de Democracia, não teve medo de perder e VENCEU sem mácula. Mas acima de tudo, o que aconteceu no passado Domingo foi a demonstração de um povo, que apesar de fustigado pelas dificuldades, não perdeu o orgulho de ser grego, de serem cidadãos europeus, cidadãos livres, sem medo e acérrimos defensores dos valores da Democracia. A Grécia saiu deste referendo mais forte e unida que nunca. É muito bonito ver um povo que está de rastos, mas que continua de pé e com a clarividência necessária para decidir sobre o seu futuro.

 

Mas os cucos-políticos, os meia-tijela e a direitalha vendida vão continuar por aí com a sua cobarde cruzada numa réstia de esperança em dar continuidade à política do medo, da opressão e da incerteza.

 

Certo é, para mim, que nos próximos dias os bancos gregos vão abrir, o dinheiro vai aparecer e o gorverno de Tsipras vai conseguir um acordo melhor do que aquele que estava em cima da mesa antes do referendo. Depois disso acontecer, veremos o que os cucos-políticos destas bandas têm para nos dizer.