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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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“Esforçamo-nos por ser inclusivos…”

O novo filme de animação da Disney, chamado “Soul”, aborda o tema do jazz e a cultura afro-americana. Por essa razão, as principais personagens são representadas por negros.

Como é habitual, estes filmes são dobrados na versão portuguesa. Acontece que a versão portuguesa foi efectuada por actores brancos, algo que desagradou muita gente, que não perdeu tempo em manifestar o seu descontentamento nas redes sociais e até já há quem exija uma nova versão do filme. Convinha lembrar que os actores que realizam dobragens em filmes não se tornam personagens desses mesmos filmes.

Sinceramente, não vejo grande motivo para alarde e não se percebe muito bem qual a razão que leva a patrulha do racismo e da discriminação a vociferar contra esta situação. Então não são eles que dizem que a cor da pele não interessa para nada? Que somos todos iguais e nunca – em caso algum - deve existir distinção pela cor da pele? Parece-me que foi aquilo que a Disney/Pixar fez na dobragem em português, ou seja, o facto de as personagens originais serem negras não implicou que a dobragem não pudesse ser feita por actores brancos.

Surpreendentemente, a brigada anti-racista não aceita que um personagem negro seja dobrado por um actor branco, porque isso parece constituir um grave episódio de um novo tipo de racismo: o racismo das falas. Isto é que me parece uma atitude um bocadinho racista.

E para coroar mais um parvo episódio de pretensa exclusão racial, a Disney decide justificar-se da seguinte forma:

“Esforçamo-nos por ser inclusivos nos nossos castings, contudo reconhecemos que há trabalho a fazer e estamos comprometidos em diversificar os talentos nas nossas dobragens…”.

Portanto, os senhores da Disney “esforçam-se” por ser inclusivos. E eu que julgava que a inclusão era algo que surgia naturalmente naqueles que a advogam.