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Contrário

oposto | discordante | inverso | reverso | avesso | antagónico | contra | vice-versa

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Eu gosto é de sindicatos “independentes”

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) anunciou uma greve para o início do próximo mês. O referido sindicato começa por apontar os problemas que já todos conhecemos, isto é, mais investimento, mais meios, mais tecnologia, mais equipamento, etc. Mas, como sempre, este rio de queixumes acaba por desaguar no transbordante mar de reivindicações para benefício próprio de uma classe, já de si, supra beneficiada. Os reais objectivos são a redução do horário de trabalho (especialmente no serviço de urgência), a criação de um estatuto profissional de desgaste rápido e ainda a diminuição da idade da reforma.

Não sei se foi por lapso ou esquecimento, mas não referiram se estão dispostos a baixar o valor salarial para que o Estado possa efectivar os seus intentos.

Gostei particularmente de duas afirmações proferidas pelo presidente do SIM, que são bastante esclarecedoras das reais preocupações dos profissionais de saúde envolvidos na greve anunciada. Primeiro, começou por dizer que, na defesa da qualidade do SNS, o Governo tem que reduzir o horário de trabalho dos médicos. Contudo, logo a seguir, lançou ferozes críticas à Ministra da Saúde que, segundo ele, quer impedir os médicos do SNS de trabalhar no sector privado.

Portanto, se bem compreendi, o SIM protesta contra o excessivo horário dos médicos no SNS, que os deixa em “burnout” e, simultaneamente, reivindicam a possibilidade de fazer mais horas no sector privado. Parece-me óbvia a razão pela qual pretendem a redução de horário no SNS.

Na verdade, o que os médicos (acredito que não sejam todos) pretendem é reduzir o horário no sector público, aumentar as regalias fornecidas pelo Estado (estatuto profissional e redução da idade da reforma) sem qualquer perda salarial e, assim, poderem dispor de mais tempo para facturar mais algum no sector privado. Não são parvos, não. Só não podem acusar o Governo de não querer negociar esta imoralidade.

Este sindicato já nos habituou a algumas campanhas interessantes, como foi o caso da “Não sejas Centeno”, dirigida ao anterior Ministro da Saúde. Desta vez, o SIM optou por um cartaz que inclui a imagem do Primeiro-Ministro e do Ministro das Finanças (devidamente “photoshopados”), como podem ver a seguir, na imagem.

cartaz_SIM.jpg

Quando vi a frase central do cartaz (“Há dinheiro para os bancos, mas não para a saúde!”) ainda cheguei a pensar tratar-se de um cartaz de um partido de Esquerda, mas quando reparei que a mensagem bóia sobre um fundo laranja, percebi imediatamente que isto só poderia ser coisa de “independentes”.