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Contrário

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Eu não sou Charlie

Após o ataque em Paris, na sede do Charlie Hebdo, onde foram cobardemente assassinadas 12 pessoas, têm sido muitas as manifestações de repúdio sobre este tipo de actos às quais me junto, mas não a todas. Não suporto a ideia de terrorismo, é abominável, é cobarde e deve ser banida da sociedade.

 

Não obstante, não embarco na ideia de que todos devemos ser uma espécie de Charlie Hebdo, muito pelo contrário. Sou indubitavelmente a favor da liberdade de expressão, mas não creio que aquilo que esta publicação fez, no passado, em relação ao Islão, se enquadre no conceito de liberdade de expressão, apesar de nunca me sentir chocado e de não vislumbrar qualquer acto que merecesse uma resposta como a de hoje. Mas… que raio! Estamos a falar de fanáticos, de terroristas, de gente que está disposta a TUDO (até mesmo morrer), para fazer vingar as suas pretensas crenças. Alguém se surpreende com o que aconteceu hoje em Paris?

 

Voltando ao conceito de liberdade de expressão, aquilo que, não raras vezes, esta publicação fez, não foram actos de pura liberdade de expressão, foram meros actos provocatórios, de criatividade barata e insulto com o único objectivo de aumentar a notoriedade da publicação e, obviamente ganhar dinheiro com isso. No que ao Islão diz respeito e, mais concretamente, às caricaturas do profeta Maomé, não vejo qualquer liberdade de expressão nisso. A liberdade de expressão deve incluir também o respeito pelos valores da sociedade onde, entre outros, encontramos os valores religiosos. E nem todos os praticantes e devotos do Islamismo são terroristas ou criminosos, esses são uma minoria. E esta minoria de criminosos nem sequer representa aquilo que é o Islão.

 

Estava fácil de perceber que, mais cedo ou mais tarde isto poderia acontecer. O Charlie Hebdo colocou-se na mira dos inimigos. Quando os inimigos foram os próprios franceses ou a Igreja Católica, nada mais havia a temer do que umas multas que eles bem podem pagar. Agora, em relação ao Islão a coisa muda de figura, pois existem por aí uns fanáticos dispostos a tudo, em nome de uma religião que não lhes pertence… É preciso estar muito distraído para não perceber que o relógio estava em contagem decrescente.

 

O Charlie Hebdo escudou-se muitas vezes na “liberdade de expressão” para poder radicalizar-se a níveis que nenhuma outra publicação ousou fazer, porque há limites para tudo. Ao Charlie Hebdo fez muito jeito radicalizar-se, a publicação vendeu que se fartou, ganhou dinheiro que se fartou e hoje perdeu 12 vidas. Valeu a pena? NÃO, claro que NÃO!

 

Há muitas formas de fazer jornalismo, de caricaturar a sociedade e de usar a liberdade de expressão, sem que tenhamos que nos pôr a jeito dos terroristas. Não temos que nos acobardar, nem sequer de nos calarmos, mas tentar usar este tipo de retaliação com “gente” que está disposta a morrer para fazer valer a sua estúpida causa, será sempre uma guerra perdida.

 

Sou contra a violência e repudio o terrorismo, mas tenham paciência... Eu não sou Charlie.

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