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RAPIDINHA

Felizmente, em Portugal, a pandemia já acabou

Graças ao governo, à DGS e, claro, a Gouveia e Melo, já não há pandemia em Portugal. Isso é passado.

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Há pessoas que ainda não perceberam que a pandemia não terminou e que continua bem presente e activa, aliás, cada vez mais activa. É certo que em Portugal a situação ainda não é visivelmente preocupante, contudo – como já todos deveríamos saber – quando os números atingem proporções preocupantes é sinal que algo de errado já foi feito, semanas antes desse momento.

No leste da Europa a situação está seriamente descontrolada. E o que dizem as autoridades portuguesas? Dizem que eles não têm o nosso nível de vacinação e que por essa razão estão a sofrer com a escalada de novos casos. Pois, só que uma taxa de vacinação mais baixa não explica, por si só, a escalada dos números, da mesma forma que uma elevada taxa de vacinação – como aquela que se verifica em Portugal – não garante que os números também não venham a disparar. Basta reparar no que se está a passar no Reino Unido, que apresenta uma taxa de vacinação próxima dos 80%.

Convinha também lembrar que os vírus respiratórios aumentam a sua actividade no tempo frio e húmido e, para quem ainda não se deu conta, por cá ainda é “Verão”. No ano passado, a chuva e as temperaturas baixas já tinham chegado há mais de um mês. Portanto, não é de ignorar este importantíssimo factor. E mesmo assim, já se nota uma tendência clara de crescimento dos novos casos, a taxa de incidência tem vindo a subir e o índice de transmissibilidade (Rt) já está acima de 1.

Se considerarmos que o tempo quente não vai continuar por muito mais tempo, que as pessoas rapidamente passarão a permanecer muito mais tempo em espaços fechados e que a maioria das pessoas já baixou definitivamente a guarda – muito à custa dos irresponsáveis apelos e do fim de algumas medidas levadas a cabo pelas autoridades competentes – não é muito difícil de antever o que vai acontecer daqui a algumas semanas.

O cenário fica ainda mais negro se atentarmos no facto de, neste momento, ainda sem sequer haver casos de gripe e, no entanto, muitos dos serviços de urgência já se encontram à beira da ruptura. Agora, imagine-se o que acontecerá se houver um pico de gripe e outro de covid-19 – lembremo-nos que as autoridades políticas e da saúde não fizeram muita questão de manter o uso obrigatório da máscara, até mesmo em muitos espaços fechados, algo que evitaria muito a propagação do vírus da gripe e da covid-19. Como será que os hospitais vão poder responder a tal situação?

São apenas dúvidas que eu tenho e que não me parece que estejamos em condições de as ignorar. Mas o governo já só está preocupado com o PRR, com as tricas orçamentais e eventuais eleições. Veja-se que nem sequer passou pela cabeça desta gente – e aqui incluo todos os agentes políticos - que, caso o governo caísse, poderíamos vir a ter uma campanha eleitoral e umas eleições legislativas num cenário pandémico completamente descontrolado. Claro que a discussão do Orçamento do Estado e do PRR são fundamentais. O problema é que eu só ouço falar em “pós-pandemia”, como se ela alguma vez tivesse sido erradicada. O Presidente da República disse, ontem – vejam bem -, que a pandemia ainda não acabou, mas que ele espera que esteja definitivamente “terminada na Primavera do próximo ano”. Com base em que evidência é que alguém com tamanha responsabilidade pode dizer uma coisa destas?

Mas há quem diga coisas piores e de forma exaustiva. O vice-almirante disse que “Portugal já venceu este vírus”, o Primeiro-ministro fartou-se de anunciar o “fim da pandemia” e a “libertação do país” e o “regresso à normalidade” entre outras sandices proferidas pelos que acabei de referir e outros que tais.

Já aqui referi, inúmeras vezes, que a enormíssima fé depositada nas vacinas é desproporcional à realidade, já que as mesmas não oferecem o elevado nível de eficácia inicialmente anunciado. Menos eficácia demonstra na contenção da propagação do vírus. Imagine-se como será se aparecer uma ou mais variantes para as quais as vacinas poderão ser ainda menos eficazes.

Se calhar sou eu que ando a imaginar coisas a mais, tanto que até já consigo vislumbrar qual será o discurso de toda esta gente que, afortunadamente, já vive num mundo sem pandemia.

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