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Fim do cavaquismo

Custou mas foi.

 

Pode ainda faltar dois meses para a eleição do próximo Presidente da República, mas já se pode afirmar com toda a segurança que, com a indigitação (ou indicação, Cavaco pode chamar-lhe o que quiser, não vai mudar nada, nem mesmo a podre matéria de que é feito) de António Costa para primeiro-ministro, finalmente, o cavaquismo chegou ao fim. Por essa razão estava a custar tanto a Cavaco Silva tomar a decisão. As eleições do passado dia 4 de Outubro serviram para três coisas importantes: primeiro, acabar com uma coligação de Direita que nunca deveria ter assumido funções governativas; segundo, para, pela primeira vez, unir a Esquerda em torno de uma solução governativa; terceiro, acabar definitivamente com Cavaco Silva.

 

O destino tem mesmo destas coisas. São estas situações que me fazem continuar a acreditar que a vida encarrega-se sempre de fazer justiça, ainda que seja da forma menos esperada. Cavaco nunca deveria ter sido eleito presidente da República, muito menos duas vezes, mas foi. Cavaco também nunca deveria ter sido eleito primeiro-ministro, mas foi, três vezes. E eu duvido se Cavaco deveria ter sido dado à luz, mas foi. Fazer o quê?

 

Cavaco foi o pior político que a Democracia portuguesa conheceu. Foi o que mais tempo esteve no poder, o que mais danos (muitos deles irreversíveis) causou ao país. Quando deixou o cargo de primeiro-ministro em 1995 e, logo de seguida, perdeu as eleições presidenciais para Jorge Sampaio, pensou-se que esta figurinha triste nunca mais daria as caras. Infelizmente quis o destino que voltasse em 2006 para a Presidência da República, onde tivemos que o suportar durante dez longos anos. Em 2011 tentei levar para a frente um “movimento” que impedisse a sua reeleição e foram muitos os que se juntaram desde a primeira hora, mas não foi o suficiente. Cavaco foi eleito, ao abrigo de uma das grandes lacunas da lei eleitoral portuguesa que continua a considerar os votos brancos como votos meramente estatísticos, sendo que está mais do que claro, para todos, que são “expressas” manifestações da vontade dos eleitores. Se para ser voto expresso é necessário colocar uma cruz válida, então, deveria existir uma opção no boletim de voto que dissesse: “nenhuma das anteriores opções de voto”. Com a devida contabilização dos votos brancos, Cavaco não teria sido reeleito e perderia, com toda a certeza, na segunda volta. Eu sei que são águas passadas, mas só de pensar no tanto que se teria evitado caso essa figura não tivesse sido reeleita, além do gostinho especial que seria colocar o seu nome, como o primeiro presidente a não conseguir a reeleição… Pois é… Mas não foi assim, fazer o quê?

 

Contudo, tal como referi atrás, o destino encarrega-se de fazer justiça, mesmo que não seja aquela que tanto gostaríamos que fosse feita. Na verdade, foi um cenário que poucos se atreveriam a cogitar há alguns meses atrás, ou seja, Cavaco ser obrigado a dar posse a um governo de Esquerda, em que o primeiro-ministro indigitado (ou indicado) nem sequer venceu as eleições. Reparem nesta ironia, em 2011 Cavaco orquestra uma campanha para acabar com o governo minoritário do Partido Socialista, que havia vencido as eleições em 2009. Agora, Cavaco é obrigado a dar posse a um governo minoritário do Partido Socialista que não venceu as eleições. Isto é lindo! É justiça poética!

 

Muito tempo se perdeu e muito mais perdeu o país. O governo de Esquerda do António Costa vai mudar o rumo das coisas? Não sei. Espero que sim. Mas deixem-me saborear primeiro este momento especial que é, nada mais, nada menos, que o fim do cavaquismo. Sim. Cavaco acabou. Já vai tarde. Mas vai com uma marca histórica no currículo: o presidente que foi obrigado a dar posse a um governo que não suporta e que teve que se submeter à vontade de comunistas e bloquistas. Lindo! Lindo! Lindo!

 

Agora que quinou definitivamente, no seu epitáfio deveria aparecer: “Chupa Cavaco!”.

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